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13 de abril de 2017

Vamos falar sobre…
Quaresma, Semana Santa, Quinta-Feira Santa

Apetece-me falar um pouco dos tempos idos em Castelo de Vide e do calendário litúrgico católico que eu conheci, já lá vão quase cinquenta anos!...
Porquê a Quinta-Feira Santa? Porque sendo embora toda a semana Santa um período de grande actividade religiosa, Quinta-Feira tinha, para além do Domingo de Ramos, uma importância fundamental na comunidade viticastrense.
A desobriga
Logo pela manhã, os quatro confessionários abriam-se com confessores vindos de fora, para receber os paroquianos que quisessem “fazer a sua DESOBRIGA”. Esta palavra, hoje em desuso, significa “cumprimento do preceito quaresmal da confissão anual”. Por outras palavras, era o cumprimento do 2º e 3º Mandamentos da Igreja:”Confessar-se uma vez cada ano e Comungar pela Páscoa da Ressurreição”.
Para não me alongar direi apenas que havia “fichas” na Sacristia onde era anotada a desobriga e se procedia ao pagamento da bula (licença canónica para comer carne em dias de abstinência)
A Missa – Última Ceia
O lava-pés
No fim da tarde, começo da noite, começava a Missa solene com vários Padres e Diáconos que percorrendo a Matriz com o Santíssimo Sacramento (sem público) entraria na nave central e o deixaria exposto.
A seguir à homilia o Pároco procedia à cerimónia do LAVA-PÉS a doze idosos vindos do Asilo Almeida Sarzedas ou invisuais do Asilo de Nossa Senhora da Esperança, simbolizando o quadro que Cristo fez aos seus Apóstolos.
A Festa da Eucaristia e o Dia do Pai
E tudo continuava em clima de festa, esquecendo-nos que estávamos em plena Quaresma. Não é por acaso que Quinta-Feira Santa medeia a Quaresma com o chamado TRÍDUO PASCAL – Sexta-Feira de Paixão, Sábado de Aleluia e Domingo da Ressurreição ou de Flores.
Durante a Festa da Eucaristia o Pároco envia uma BENÇÃO A TODOS OS PAIS, pois, era neste dia que em Castelo de Vide se comemorava o dia do Pai e os filhos oferendavam o seu progenitor.
A procissão de Visitação das Igrejas
Terminada a Missa, o Santíssimo seguia em procissão curta, sob a umbela, para São João, onde permanecia e permanece até Sábado de Aleluia.
De regresso à Matriz, iniciava-se a procissão de Visitação das Igrejas que passava por quase todas.
A Senhora da Soledade
Era já quase meia-noite e ainda havia uma cerimónia a cumprir. A imagem da Senhora da Soledade tinha que ser transportada do Hospital de Santo Amaro (sua residência) para o Calvário, pois, no dia seguinte teria de acompanhar o Enterro se Seu Filho.
Era assim noutros tempos…
António Busca

11 de Abril de 2017

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