27 de fevereiro de 2014

Assembleia Municipal aprovou por unanimidade moção apresentada pelo Grupo Municipal do PS contra o previsto encerramento do Tribunal local

Na sua reunião de dia 25 de Fevereiro, a Assembleia Municipal de Castelo de Vide aprovou por unanimidade uma moção apresentada e defendida pelo Grupo Municipal do Partido Socialista contra o encerramento do Tribunal Judicial. 
O NCV publica seguidamente o texto integral do referido documento que recolheu 18 votos a favor, dado que na reunião esteve ausente o deputado Manuel Serpa Soares do Partido Comunista português. 
A Assembleia Municipal de Castelo de Vide manifesta publicamente o seu firme repúdio pelas consequências da Reforma do Mapa Judiciário neste Concelho.
A “extinção” da Comarca de Castelo de Vide e, consequentemente, do Tribunal Judicial de Castelo de Vide é, antes de tudo, uma manobra de discurso político que pretende transmitir a ideia de celeridade e optimização na administração da Justiça, mas que é, na realidade, um duro golpe no acesso dos cidadãos aos serviços judiciais.
Ao se basear em meros critérios numéricos absolutos a Reforma mais uma vez privilegia os grandes centros, onde se concentram cada vez mais os negócios, as pessoas e, consequentemente o número de processos. E se é certo que Castelo de Vide e Marvão, concelhos com reduzida população e tecido empresarial debilitado, beneficiam dos serviços de proximidade que têm, também é certo que estes são ainda um valor de vida que se opõe à lógica que beneficia sempre o Litoral urbanizado.
A dita Reforma vem aprofundar assim as debilidades do Interior, impedindo o acesso à Justiça em condições de igualdade para todos os cidadãos, não tomando em consideração as enormes dificuldades que a população enfrenta para uma simples deslocação ao tribunal mais próximo.
A falta de soluções integradas na rede de transportes é, por exemplo, um factor determinante. Para a esmagadora maioria da população de Castelo de Vide não é possível recorrer aos transportes públicos de forma eficaz porque…eles não existem.
Esta solução desconsidera a imagem da Justiça, descredibilizando-a, ao mesmo tempo que faz aumentar o sentimento de insegurança junto da populações, não apresentando nem contrapartidas. É uma reforma pontual, que externaliza os impactos na vida das comunidades mais pequenas, mais frágeis, mais envelhecidas.
Esta decisão, sendo por si grave, assume contornos ainda mais preocupantes, pois confirma uma linha política de continuidade com consequências na desqualificação do papel do Estado e no desmantelamento dos serviços públicos no Interior.
As “reformas a régua e esquadro”, de forma cega, causam transtornos e injustiças insuperáveis porque não tomam em conta as características e potenciais de cada território, contribuindo para a sua desintegração, desertificação e empobrecimento em vez de contribuírem para o seu desenvolvimento, mesmo que para isso se afirme o direito à “ discriminação positiva”; Se Portugal é só um, este custo deve ser assumido por todo o país, única forma de garantir a subsidiariedade, a equidade e a coesão territorial e, mais que tudo, a esperança em dias melhores em territórios que sentem sobremaneira as dificuldades que afetam o país atual.
Castelo de Vide é, objectivamente, prejudicado e, por isso, a Assembleia Municipal de Castelo de Vide ergue a sua voz em defesa dos interesses do Concelho e da População, condenando esta medida que, somada a outras, é uma “lança apontada” ao Interior, encarando os seus residentes como “cidadãos de segunda”.
As áreas da Saúde, Justiça, Educação e demais serviços desconcentrados do Estado são permanentemente desconsiderados pelo Governo no que respeita ao Interior, aprofundando as assimetrias e abrindo caminho a mais desigualdade e maior descrédito do Estado.
Os contribuintes de Castelo de Vide merecem o mesmo tratamento, o mesmo respeito e os mesmos direitos de todos os outros. A política consiste em fazer escolhas e, neste caso, a teoria confirma-se pelos piores motivos, já que foram tomadas as opções que garantem um prejuízo maior a quem vive no Interior.
A “certidão de óbito” que este Governo pretende passar ao Interior terá a contestação firme e empenhada desta Assembleia Municipal, ao lado da população, na defesa do concelho e dos seus serviços públicos”.
Castelo de Vide, 25 de Fevereiro 2014
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