Este fim- de- semana, aconselhamos os visitantes a entrar no Posto de Turismo Municipal, sito na Praça D. Pedro V, cujo horário é das 9H00 às 13H00 e das 14H00 às 18H00 e visitarem a exposição dedicada aos Santos Populares (ali patente até à festa de S. Pedro). Pequenos apontamentos sobre este Santo Milagreiro, casamenteiro, padroeiro da cidade de Portalegre e cultuado por toda a região da serra de S. Mamede.
E porque não celebrar o Santo António no arraial que vai decorrer na Praça? Haverá sardinha assada, açorda, petiscos e bebidas que animarão o seu serão a partir das 18 Horas, do próximo dia 12 de Junho. A festa promete e a animação será da responsabilidade de Bruno Pires.
Santo António na região de Portalegre
Santo António é o padroeiro principal da cidade de Portalegre e é cultuado por toda a região, pelo país e um pouco por todo o mundo católico. Crúzio e franciscano, pregador, teólogo e milagreiro. Casamenteiro, protetor dos gados e dos militares, ajuda no achamento de objetos perdidos - é também um " Santo Popular".
Sempre que dele se fala, como um conto, acrescenta-se um ponto! É uma realidade com todas as propriedades do Património Imaterial: tem história, está na história, gera histórias, artefactos, lendas, mezinhas.
Popular, no seu dia 13 de Junho, é senhor de tradições em ruas estreitas, becos e largos solarengos, na maior parte dos casos em centros urbanos, nos centros históricos, mas também hoje nos bairros da periferia e nos suburbanos.
Vida, legenda, iconografia e devoções
Desconhece-se a data exata de Fernando Martins de Bulhões. Nasceu em Lisboa no último quartel do séc. XII, 1188 ou 1190, embora a tradição diga que nasceu a 15 de Agosto de 1195.
Oriundo de uma família nobre, estudou na escola da catedral olissiponense (próxima da casa onde terá nascido), tendo ingressado com 18/20 anos de congregação dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, instalados no mosteiro de São Vicente de Fora. Em 1211/1212 transferiu-se para o mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, da mesma ordem, onde aprofundou os seus estudos e foi ordenado sacerdote., aí tendo escrito ou preparado a sua obra mais importante: Sermones Dominicales.
A 13 de Junho morre em Arcela, perto de Pádua, na Itália.
A sua vida foi bem estudada nos nossos dias por frei Henrique Pinto Rema e Francisco da Gama Caeiro.
Na maioria das suas representações Santo António surge vestido com o hábito franciscano, atado à cintura com uma corda com três nós simbólicos (proeza, obediência e castidade), salvo exceções.
A sua iconografia conheceu uma variedade de símbolos, sendo os principais: as chamas saindo da sua mão, atributo a Santo Antão Abade, cujo nome tomou; o coração inflamado, vindo de Santo Agostinho, patrono da sua primeira ordem; o ramo de lírio, símbolo da sua pureza, "copiado" de São Bernardino, que difundiu o seu culto; o Menino Jesus; o crucifixo, florido ou não; os peixes escutando a sua pregação; e a mula, ajoelhada frente a uma custódia consagrada.
Em Castelo de Vide existe uma ermida dedicada ao santo milagreiro onde decorriam alguns atos devotos. As festas mais importantes localizavam-se contudo na igreja paroquial de Sant'Iago Maior. Já decorriam em meados do Séc. XVIII, segundo uma memória assinada em 1758 pelo padre da freguesia, Domingos de Figueiredo.
O programa de 1926 previa para dia 12 de Junho , ao meio dia, " a anunciação de festas pelos sinos das freguesias" e " alguns morteiros". Nesse dia havia também uma eucaristia abrilhantada pela orquestra do Asilo de Nossa Senhora da Esperança, saindo às cinco da tarde a procissão pelas principais artérias da vila. Depois das dez da noite, decorria o arraial no "lindo largo de S.Thiago", com venda de fogaças, iluminações, bailes campestres, a tradicional fogueira, descantes populares, e subindo ao ar alguns foguetões de vistas do afamado Pirotécnico das Mouriscas"
Santo António em Castelo de Vide
É, contudo, uma presença constante nas devoções dos habitantes dos três concelhos da Serra de S. Mamede. Encontramos a sua imagem nas igrejas, capelas, nas ermidas, sobre as portas, representado em azulejo. Surge ainda nas palavras, nos sentimentos e nos objetos artísticos que, ao longo de alguns séculos, foram expressando complexa e multifacetada.
O tão repetido " milagre da mula" em Castelo de Vide, Marvão e Portalegre – onde existiram comunidades judaicas e cristãs-novas numerosas e importantes – terá sido utilizado como veículo de propaganda e proselitismo, transformando Santo António de Lisboa num estandarte da contra-reforma na região.
Na vila, a existência de uma igrejinha antoniana, construída em 1700 por iniciativa de Sebastião Fernandes Ramilo e de sua mulher Ana Vaz Barbas, teve apenas como fim servir de lugar de sepultura para os seus fundadores.
da orações tradicionais de devoção ao santo. Transcreve-se uma versão de Castelo de Vide:
" Santo António se levantou,/Seus sapatinhos calçou,/ Suas sagradas mãos curou,/Caminhou e caminhou./Nossa Senhora lhe disse:/António onde vais?/ 'Eu Senhora, consigo vou '/
'Tu comigo vens./Tu na terra ficarás./ Todas as missas que disserem,/Tu, António, ouvireis./Todas as almas que se perderem,/Tu, António, as salvareis.".
Adaptação de "Santo António na região de Portalegre", obra publicada por Ruy Ventura em 2013, por Maria do Carmo Alexandre.

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