13 de junho de 2015

Proposta de Fim de Semana:
Santos Populares em festa 

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Este fim- de- semana, aconselhamos os visitantes a entrar no Posto de Turismo Municipal, sito na Praça D. Pedro V, cujo horário é das 9H00 às 13H00 e das 14H00 às 18H00 e visitarem a exposição dedicada aos Santos Populares (ali patente até à festa de S. Pedro). Pequenos apontamentos sobre este Santo Milagreiro, casamenteiro, padroeiro da cidade de Portalegre e cultuado por toda a região da serra de S. Mamede.
E porque não celebrar o Santo António no arraial que vai decorrer na Praça? Haverá sardinha assada, açorda, petiscos e bebidas que animarão o seu serão a partir das 18 Horas, do próximo dia 12 de Junho. A festa promete e a animação será da responsabilidade de Bruno Pires.
Santo António na região de Portalegre
Santo António é o padroeiro principal da cidade de Portalegre e é cultuado por toda a região, pelo país e um pouco por todo o mundo católico. Crúzio e franciscano, pregador, teólogo e milagreiro. Casamenteiro, protetor dos gados e dos militares, ajuda no achamento de objetos perdidos - é também um " Santo Popular".
Sempre que dele se fala, como um conto, acrescenta-se um ponto! É uma realidade com todas as propriedades do Património Imaterial: tem história, está na história, gera histórias, artefactos, lendas, mezinhas.
Popular, no seu dia 13 de Junho, é senhor de tradições em ruas estreitas, becos e largos solarengos, na maior parte dos casos em centros urbanos, nos centros históricos, mas também hoje nos bairros da periferia e nos suburbanos.
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Vida, legenda, iconografia e devoções
Desconhece-se a data exata de Fernando Martins de Bulhões. Nasceu em Lisboa no último quartel do séc. XII, 1188 ou 1190, embora a tradição diga que nasceu a 15 de Agosto de 1195.
Oriundo de uma família nobre, estudou na escola da catedral olissiponense (próxima da casa onde terá nascido), tendo ingressado com 18/20 anos de congregação dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, instalados no mosteiro de São Vicente de Fora. Em 1211/1212 transferiu-se para o mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, da mesma ordem, onde aprofundou os seus estudos e foi ordenado sacerdote., aí tendo escrito ou preparado a sua obra mais importante: Sermones Dominicales.
A 13 de Junho morre em Arcela, perto de Pádua, na Itália.
A sua vida foi bem estudada nos nossos dias por frei Henrique Pinto Rema e Francisco da Gama Caeiro.
Na maioria das suas representações Santo António surge vestido com o hábito franciscano, atado à cintura com uma corda com três nós simbólicos (proeza, obediência e castidade), salvo exceções.
A sua iconografia conheceu uma variedade de símbolos, sendo os principais: as chamas saindo da sua mão, atributo a Santo Antão Abade, cujo nome tomou; o coração inflamado, vindo de Santo Agostinho, patrono da sua primeira ordem; o ramo de lírio, símbolo da sua pureza, "copiado" de São Bernardino, que difundiu o seu culto; o Menino Jesus; o crucifixo, florido ou não; os peixes escutando a sua pregação; e a mula, ajoelhada frente a uma custódia consagrada.
Em Castelo de Vide existe uma ermida dedicada ao santo milagreiro onde decorriam alguns atos devotos. As festas mais importantes localizavam-se contudo na igreja paroquial de Sant'Iago Maior. Já decorriam em meados do Séc. XVIII, segundo uma memória assinada em 1758 pelo padre da freguesia, Domingos de Figueiredo.
O programa de 1926 previa para dia 12 de Junho , ao meio dia, " a anunciação de festas pelos sinos das freguesias" e " alguns morteiros". Nesse dia havia também uma eucaristia abrilhantada pela orquestra do Asilo de Nossa Senhora da Esperança, saindo às cinco da tarde a procissão pelas principais artérias da vila. Depois das dez da noite, decorria o arraial no "lindo largo de S.Thiago", com venda de fogaças, iluminações, bailes campestres, a tradicional fogueira, descantes populares, e subindo ao ar alguns foguetões de vistas do afamado Pirotécnico das Mouriscas"
Santo António em Castelo de Vide

DSC 0243É um dos heróis do cristianismo a que as populações da serra de S. Mamede mais manifestam devoção, embora nunca sentido na região como padroeiro. Santo António de Lisboa é titular, apenas, de uma paróquia no concelho de Castelo de Vide, Marvão e Portalegre e orago em poucas ermidas.
É, contudo, uma presença constante nas devoções dos habitantes dos três concelhos da Serra de S. Mamede. Encontramos a sua imagem nas igrejas, capelas, nas ermidas, sobre as portas, representado em azulejo. Surge ainda nas palavras, nos sentimentos e nos objetos artísticos que, ao longo de alguns séculos, foram expressando complexa e multifacetada.
O tão repetido " milagre da mula" em Castelo de Vide, Marvão e Portalegre – onde existiram comunidades judaicas e cristãs-novas numerosas e importantes – terá sido utilizado como veículo de propaganda e proselitismo, transformando Santo António de Lisboa num estandarte da contra-reforma na região.
Na vila, a existência de uma igrejinha antoniana, construída em 1700 por iniciativa de Sebastião Fernandes Ramilo e de sua mulher Ana Vaz Barbas, teve apenas como fim servir de lugar de sepultura para os seus fundadores.
da orações tradicionais de devoção ao santo. Transcreve-se uma versão de Castelo de Vide:
" Santo António se levantou,/Seus sapatinhos calçou,/ Suas sagradas mãos curou,/Caminhou e caminhou./Nossa Senhora lhe disse:/António onde vais?/ 'Eu Senhora, consigo vou '/
'Tu comigo vens./Tu na terra ficarás./ Todas as missas que disserem,/Tu, António, ouvireis./Todas as almas que se perderem,/Tu, António, as salvareis.".
Adaptação de "Santo António na região de Portalegre", obra publicada por Ruy Ventura em 2013, por Maria do Carmo Alexandre.
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