4 de abril de 2013

Póvoa e Meadas e de Montalvão:
Juntas de Freguesia decidem não organizar
a Romaria de S. Silvestre este ano

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As Juntas de Freguesia de Nossa senhora da Graça de Póvoa e Meadas e de Montalvão anunciaram em conjunto ter decidido não realizar este ano a tradicional Romaria de S. Silvestre que habitualmente tem lugar no Domingo de Pascoela.
A decisão fica a dever-se "ao mau tempo que se fez sentir nos últimos dias nas nosas freguesias" e que afectou fortemente os acessos ao local da ermida. 
Os dois autarcas pedem aos sseus fregueses "desculpa pelo acontecido" e adiantam entender que "as tradições são para manter e dar cumprimento às mesmas mas na situação actual é impossível". 
Ermida de S. Silvestre
Situada no termo de Montalvão, a Ermida de S. Silvestre fica perto (cerca de 2,5 kms) de Póvoa e Meadas. A edificação actual foi mandada reconstruir, com autorização da Diocese, por Eduardo Fragoso, proprietário agrícola natural de Póvoa e Meadas e dono do Vale de São Silvestre. Na altura foram acrecentados uma sacristia e um alpendre.
Segundo uma nota de Elisabete Arez (1994), “a romaria á Ermida de S. Silvestre perde-se no tempo, mas o fervor da devoção ao Santo avivou-se depois da reconstrução da capela. Para comemorar tal feito, foi celebrada uma grande missa pelos párocos das duas freguesias – Póvoa e Montalvão – com procissão ao longo de toda a azinhaga (desde a estrada até á capela) e comprado um Santo novo, desta feita de barro, vestido de branco já que S. Silvestre fora Papa”
Era costume nesta romaria levar-se o gado a benzer para este se criar bem, ter boas crias e também oferecer para leilão a melhor rês e bons chouriços, muitos deles feitos de propósito para a ocasião”.
Dando três voltas á capela, á chegada, e outra tantas á partida em jeito de cumprimento ao Santo, assistia-se á missa, á procissão, ás ofertas e leilões e estendia-se a merenda toda a tarde, não faltando na toalha a tradicional freira – bolo de forma redonda com um ovo ao centro e uma cruz da massa do bolo por cima do ovo”.
A história da romaria
De acordo com a mesma nota, “a romaria á Ermida de S. Silvestre perde-se no tempo, mas o fervor da devoção ao Santo avivou-se depois da reconstrução da capela. Para comemorar tal feito, foi celebrada uma grande missa pelos párocos das duas freguesias – Póvoa e Montalvão – com procissão ao longo de toda a azinhaga (desde a estrada até á capela) e comprado um Santo novo, desta feita de barro, vestido de branco já que S. Silvestre fora Papa”.
Entre a Póvoa e Montalvão sempre houve muitas rixas, mas esta questão do S. Silvestre veio ainda reforçar o “ódio de estimação”entre as duas freguesias. “Diz-se que as gentes de Montalvão tinham tanta”raiva”ás da Póvoa, por terem sido estes a reconstruir a capela e a comprar um Santo novo, que até insistiram em ter o antigo (de madeira) na sacristia para lhe fazerem as oferendas. Lá diziam eles que “Santos de barro não fazem milagres”.
Por causa destas e outras desavenças entre os dois Povos, é aqui nesta romaria, que começam as famosas brigas de pau e pedra em que as azinheiras, na azinhaga que liga a Capela à estrada, ficavam completamente desfolhadas”.
Por a Póvoa ser famosa em ter as mais belas raparigas dos arredores, era esta romaria muito visitada. Vestidas com os seus” fatos de Carnaval”, saia encarnada bordada, xailes lindíssimos nas costas e com todo o ouro ao peito eram mais um motivo de desavença entre os rapazes, que ponham todo o fervor numa desgarrada bem cantada e improvisada mas acabando sempre em insultos entre eles e claro numas boas pauladas e pedradas”. © NCV



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