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As Juntas de Freguesia de Nossa senhora da Graça de Póvoa e Meadas e de Montalvão anunciaram em conjunto ter decidido não realizar este ano a tradicional Romaria de S. Silvestre que habitualmente tem lugar no Domingo de Pascoela.
A decisão fica a dever-se "ao mau tempo que se fez sentir nos últimos dias nas nosas freguesias" e que afectou fortemente os acessos ao local da ermida.
Os dois autarcas pedem aos sseus fregueses "desculpa pelo acontecido" e adiantam entender que "as tradições são para manter e dar cumprimento às mesmas mas na situação actual é impossível".
Ermida
de S. Silvestre
Situada
no termo de Montalvão, a Ermida
de S. Silvestre fica
perto (cerca de 2,5 kms) de Póvoa e Meadas. A edificação actual
foi mandada reconstruir, com autorização da Diocese, por Eduardo
Fragoso, proprietário agrícola natural de Póvoa e Meadas e dono do
Vale de São Silvestre. Na altura foram acrecentados uma sacristia e
um alpendre.
Segundo
uma nota de Elisabete Arez (1994), “a romaria á Ermida de S.
Silvestre perde-se no tempo, mas o fervor da devoção ao Santo
avivou-se depois da reconstrução da capela. Para comemorar tal
feito, foi celebrada uma grande missa pelos párocos das duas
freguesias – Póvoa e Montalvão – com procissão ao longo de
toda a azinhaga (desde a estrada até á capela) e comprado um Santo
novo, desta feita de barro, vestido de branco já que S. Silvestre
fora Papa”
“Era
costume nesta romaria levar-se o gado a benzer para este se criar
bem, ter boas crias e também oferecer para leilão a melhor rês e
bons chouriços, muitos deles feitos de propósito para a ocasião”.
“Dando três
voltas á capela,
á chegada, e outra tantas á partida em jeito de cumprimento ao
Santo, assistia-se á missa, á procissão, ás ofertas e leilões e
estendia-se a merenda toda a tarde, não faltando na toalha a
tradicional freira – bolo de forma redonda com um ovo ao centro e
uma cruz da massa do bolo por cima do ovo”.
A
história da romaria
De
acordo com a mesma nota, “a romaria á Ermida de S. Silvestre
perde-se no tempo, mas o fervor da devoção ao Santo avivou-se
depois da reconstrução da capela. Para comemorar tal feito, foi
celebrada uma grande missa pelos párocos das duas freguesias –
Póvoa e Montalvão – com procissão ao longo de toda a azinhaga
(desde a estrada até á capela) e comprado um Santo novo, desta
feita de barro, vestido de branco já que S. Silvestre fora Papa”.
“Entre
a Póvoa e Montalvão sempre houve muitas rixas, mas esta questão do
S. Silvestre veio ainda reforçar o “ódio de estimação”entre
as duas freguesias. “Diz-se que as gentes de Montalvão tinham
tanta”raiva”ás da Póvoa, por terem sido estes a reconstruir a
capela e a comprar um Santo novo, que até insistiram em ter o antigo
(de madeira) na sacristia para lhe fazerem as oferendas. Lá diziam
eles que “Santos de barro não fazem milagres”.
“Por
causa destas e outras desavenças entre os dois Povos, é aqui nesta
romaria, que começam as famosas brigas de pau e pedra em que as
azinheiras, na azinhaga que liga a Capela à estrada, ficavam
completamente desfolhadas”.
“Por
a Póvoa ser famosa em ter as mais belas raparigas dos arredores, era
esta romaria muito visitada. Vestidas com os seus” fatos de
Carnaval”, saia encarnada bordada, xailes lindíssimos nas costas e
com todo o ouro ao peito eram mais um motivo de desavença entre os
rapazes, que ponham todo o fervor numa desgarrada bem cantada e
improvisada mas acabando sempre em insultos entre eles e claro numas
boas pauladas e pedradas”. ©
NCV


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