9 de novembro de 2014

Castelo de Vide visto pelos artistas:
a barragem de Póvoa e Meadas por Leonor Mourão

Nestas águas banhei meu corpo e meus sonhos. Quando era miúda e jovem era aqui que passava com meus pais as férias de Verão. Filha de operários estava fora de hipóteses ir para o Algarve (lugar de veraneio dos portucalenses mais abastados) !
Lembro-me que ocupavamos uma casa que tinha apenas uma sala e um forno. Colhiamos as folhas caídas das imensas árvores que abundavam na paisagem e eram os nossos colchões. 
Lembro-me de dividir o espaço com outras pessoas e do bom e saudável convivio que havia entre todos. A casinha ficava perto das instalações onde na altura, para mim magia, me diziam: é aqui dentro que se transforma a e água em electricidade e me proibiam de chegar perto por ser perigoso. 
Lembro-me de uma vez ter tentado abrir aquela porta mas nada consegui e fiquei sempre a pensar que seria magia. 
Lembro-me de passear por meio daquela enorme floresta (era a única que tinha ). Lembro-me da partilha dos farnéis entre os campistas. 
Lembro-me dos bons a felizes banhos tomados nessas águas. 
Lembranças dum passado pobre em dinheiro mas rico em amor, fraternidade e amizade. Mais tarde levava meus filhos a passearem por lá e muito mais tarde já lá fui e contei algumas histórias hilariantes lá passadas, coisas de jovens que só pensamos que hoje os jovens fazem tudo e mais alguma coisa. Nos outros tempos também faziamos mas ás escondidas. 
Mudou o tempo.... mudou a vida... mas as memórias que nos fizeram crescer ficam .
Para voces com carinho ás águas calmas que me banharam a alma e o corpo. © Leonor Mourão/NCV
(Aguarela sobre papel arches 300mg -39x29 cms)

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