14 de julho de 2015

Castelo de Vide, possível palco do filme “Grácia Nasi”

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Caminhos repletos de monumentos prontos a partilharem toda a sua história. Paisagens cuja beleza parece não ter fim. É todo um conjunto de monumentos e paisagens que tornam o concelho tão especial.

O realizador Uwe Kersken e dois produtores da Plural visitaram, na passada sexta-feira, a vila de modo a analisar o seu potencial para acolher o filme "Grácia Nasi". Paisagens castelo-videnses e um pouco da sua história foram-lhes dadas a conhecer pelo cicerone Carolino Tapadejo. "É lindo. Já estive em muitos lugares, mas nenhum como este", afirma Uwe Kersken. A judiaria, castelo, sinagoga, Fonte da Vila e a oficina Mestre Carolino foram os principais pontos de visita.

DSC09023Na judiaria, os pormenores das fachadas mereceram uma particular atenção. Imagens com sete pontas surgiam como forma camuflada de informar os judeus que ali era professada a religião judaica. As cruzes na ombreira da porta significavam a existência de cristãos-novos. Eram feitas para identificar as casas que estavam sujeitas a um controlo apertado das suas práticas.
Castelo de Vide acolheu 4.000 judeus no período de 1320 a 1496. Foram também distribuídos pelas áreas circundantes, mas continuaram a ter ligações à vila. Durante esta época, foram sempre muito bem tratados. D. Afonso IV permitiu-lhes a construção da sinagoga, com três imposições: edifício pequeno, rua estreita e arquitetura que a diferenciasse das igrejas cristãs.
No reinado de D. Manuel I a serenidade vivida pelos judeus findou. Foram perseguidos, torturados e queimados. Quatrocentos judeus de Castelo de Vide acabaram sacrificados. Na sinagoga estão expressos os nomes destes judeus como forma de homenagem.
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Persistem nos dias de hoje algumas práticas judaicas no concelho. Nas sextas-feiras, há quem continue a limpar a casa, mudar a roupa da cama e deixar a candeia acesa durante toda a noite. Ainda hoje é consumido o "bolo da massa", que é um bolo sem doce, de origem judaica.
A casa onde D. Dinis recebeu os embaixadores para assinar o contrato de casamento com D. Isabel foi um dos pontos de passagem nesta visita. Na sua fachada está cravada a imagem de dois leões, semelhantes aos do brasão da família de D. isabel de Aragão. Mas esta imagem, em pedra, tem uma peculiaridade: entre os leões está esculpida uma árvore com sete ramos e sete raízes de fora. Essa árvore era o símbolo judaico utilizado por eles nos convites de casamento dos seus filhos.
DSC09015No Museu Mestre Carolino, foram vislumbradas ferramentas, algumas com quinhentos anos, utilizadas na profissão de ferreiro. Quando o museu recebe a visita de grupos escolares, a oficina volta aos seus tempos remotos e retorna ao trabalho.
A Fonte da Vila é uma das fontes emblemáticas de Castelo de Vide. Toda talhada em pedra, tem no centro uma tulipa. A flor era "regada" ao final da tarde para que esta nunca secasse, assim diziam as gentes antigas.
Durante duas horas, vários caminhos foram trilhados, histórias disfrutadas e paisagens apreciadas. Castelo de Vide conquistou os seus novos visitantes. © CMCV/NCV
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