20 de janeiro de 2016

Faleceu o arquitecto Nuno Teotónio Pereira

Faleceu hoje na sua casa em Lisboa o arquiteto Nuno Teotónio Pereira que faria 94 anos no próximo dia 30 de Janeiro, figura destacada do urbanismo e da habitação em Portugal muito ligado também, pessoal e profissionalmente, ao Norte Alentejano e nomeadamente a Castelo de Vide e Marvão.
Ligação a Castelo de Vide
Nuno Teotónio Pereira esteve sempre muito ligado a Castelo de Vide e à região. A família tem casa em Marvão e o seu filho Miguel Teotónio Pereira trabalha na Biblioteca Municipal Laranjo Coelho de Castelo de Vide; também o seu neto Tiago Pereira vive e trabalha na região (Portalegre e Marvão).
Profissionalmente, o arquiteto foi o autor dos Planos Gerais de Urbanização de Castelo de Vide (1980-1982) e de Póvoa e Meadas (1985), no primeiro caso , coadjuvado por João Reis Gomes.
Com Ana Rita Santos Jorge desenvolveu entre 1989 e 1991 um projeto para a a Reabilitação do Castelo e Muralhas de Castelo de Vide infelizmente abandonado.
E entre 1992 e 1995 preparou o Plano Diretor Municipal de Castelo de Vide em colaboração com Luís Sá Pereira e Miguel Aragão.
Uma vida de trabalho

Nascido em Lisboa, em 1922, formou-se em arquitetura pela Escola de Belas Artes de Lisboa, foi autor e co-autor de dezenas de projetos e também um histórico defensor de direitos cívicos e políticos durante o regime salazarista.
Em Abril de 2015, Nuno Teotónio Pereira foi distinguido com o Prémio Universidade de Lisboa 2015, pelo exercício “brilhante” na área da arquitetura e como “figura ética”.
Entre outros, são da sua autoria – ou em co-autoria com arquitetos como Nuno Portas, Bartolomeu Costa Cabral e João Braula Reis – o Bloco das Águas Livres, classificado em 2012 como monumento de interesse público, a Torre de Habitação Social nos Olivais Norte, o chamado Edifício "Franjinhas" e a Igreja do Sagrado Coração de Jesus, projectos realizados em Lisboa, distinguidos com Prémios Valmor.
Por outro lado, Teotónio Pereira foi um dos arquitectos pioneiros na área da habitação social, tendo projetado não só para Lisboa, mas também para Braga, Castelo Branco, Póvoa de Santa Iria, Barcelos e Vila Nova de Famalicão, nos anos de 1950 a 1970.
Entre 1948 a 1972, foi consultor de Habitações Económicas na Federação das Caixas de Previdência. Realizou o primeiro concurso para habitações de renda controlada.
Foi galardoado com o 2.º Prémio Nacional de Arquitetura da Fundação Calouste Gulbenkian (1961), pelo Edifício das Águas Livres, e Prémios Valmor para a Torre de Habitação nos Olivais Norte (1967), Edifício Franjinhas (1971) e Igreja do Sagrado Coração de Jesus (1975).
Era membro honorário da Ordem dos Arquitetos desde 2004 e doutor honoris causa pela Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto (2003) e pela Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa (2005).
Em 2012 foi escolhido pela Igreja Católica para receber o Prémio Árvore da Vida – Padre Manuel Antunes desse ano, atribuído pelo Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura. © NCV

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