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3 de janeiro de 2017

Associação PédeXumbo faz balanço de 2016:
incêndio no “estacionamento provisório” do Andanças deixou todos “profundamente afetados”


Neste início de 2017, a Associação PédeXumbo acaba de publicar através das redes sociais um texto de balanço de 2016 todo ele direcionado para as múltiplas consequências de índole variada do incêndio ocorrido no parque de estacionamento provisório do festival Andanças 2016. Um documento importante que o NCV a seguir publica na íntegra. Os subtítulos são da responsabilidade da Redação.

“Recomeça mais um ano, altura para os habituais balanços. 2016 foi para a PédeXumbo mais um ano de muito trabalho, a desenvolver um grande conjunto de projetos e atividades, em vários territórios e para várias comunidades, contando com o apoio de parceiros e amigos, e fazendo cumprir a missão de promoção da música e da dança tradicionais.
Infelizmente, este ano ficará marcado pela adversidade que vivemos, que nos continua a afetar e que continuará a ser foco da nossa maior atenção. Como é de conhecimento público, ocorreu um incêndio no estacionamento provisório do nosso evento de maior dimensão, o Festival Andanças. Felizmente não houve vítimas a registar, mas foram destruídas e danificadas 446 viaturas, afetando a vida de centenas de pessoas. Na sequência deste incidente, aproveitamos a ocasião para:
Solidariedade, reconhecimento e gratidão
1. Manifestar, mais uma vez, a nossa solidariedade para com todas as pessoas direta e indiretamente afetadas e a nossa vontade e disponibilidade para as apoiar e ajudar a mitigar os transtornos deste incidente nas suas vidas, dentro das nossas possibilidades.
2. Renovar o nosso reconhecimento e gratidão para com todos os que fizeram acontecer o Andanças e que, de algum modo, ajudaram, apoiaram e colaboraram com a organização durante o incidente e nos dias e semanas seguintes, e possibilitaram a sua continuação. Em particular: artistas, coordenadores e demais voluntários; concessionários e outros trabalhadores; Câmara Municipal de Castelo de Vide; Junta de Freguesia e comunidade de Póvoa e Meadas; família proprietária do terreno; GNR, Bombeiros e Proteção Civil, e, de uma forma geral, todo o público do Andanças.
3. Reiterar que o Andanças, cumprindo a sua responsabilidade social e cultural, é um evento público devidamente licenciado, com Plano de Segurança oficial, como é obrigatório. O Plano foi devidamente ativado e cumprido durante o incidente.
“Acidente aconteceu e afetou-nos a todos”
4. Afirmar que a edição do Andanças 2016 foi, como habitualmente, preparada com o maior cuidado e dedicação, recorrendo ao conhecimento acumulado ao longo destes 20 anos de experiência e de crescimento do festival, considerando as suas particularidades (face aos valores e ideais que persegue), as especificidades do local, e as limitações, e recursos disponíveis.
5. Reafirmar que apesar de termos vindo a aumentar, de ano para ano, o investimento e o esforço humano, procurando sempre introduzir melhorias; a proceder ao nível do ambiente, da saúde e bem-estar, e da prevenção e segurança de um modo cada vez mais consciente, responsável e organizado, cumprindo com as obrigações legais que nos são exigidas; de sabermos que fizemos o nosso melhor, a verdade é que este acidente aconteceu e afetou-nos a todos, de um modo impactante e irreversível, seja ao nível individual/pessoal, seja coletivo/institucional e social.
6. Assumir que o impacto foi grande: nas pessoas que perderam os seus carros e têm por isso as suas vidas afetadas; em todos os participantes e até no público que recebeu as notícias à distância; na comunidade e parceiros locais – que tanto têm investido e esforçado para que tudo corresse pelo melhor; e, também, na própria organização.
Estamos todos “no mesmo barco”...
7. Assumir que ficámos todos, profundamente, afetados. Estamos todos ‘no mesmo barco’ a procurar atenuar, da melhor forma possível e de um modo colaborativo, os transtornos resultantes. Compreendemos que possa existir diversidade de pontos de vista e de opiniões. Mas gostaríamos que não existissem divisões e conflitos abertos na sequência de um incidente em que, de algum modo, todos fomos lesados e todos somos parte do resultado desta experiência coletiva excecional que nos uniu.
8. Salientar que gostaríamos e pretendemos, de acordo com os valores que nos orientam, não permanecer nas abordagens comuns tendencialmente de ‘vitimização/culpabilização’ e de recurso a processos judiciais – tantas vezes processualmente pesados, demorados e onerosos. Mas procurar, de um modo co-criativo, inovador e socialmente mais construtivo, novas perspetivas e soluções para a resolução partilhada de casos excepcionais como este, que possam servir de exemplo, no futuro. Quer no sentido da sua prevenção, para que incidentes destes não se voltem a repetir. Quer no sentido da sua resolução mais alargada, de forma socialmente consciente.
Estrutura humana e capacidade de resposta fortemente abaladas
9. Referir que a PédeXumbo é uma associação de âmbito cultural sem fins lucrativos, que viu, com este acontecimento, a estrutura humana e capacidade de resposta fortemente abalada. E que apesar da discrição e aparente ‘falta de iniciativa’, o nosso esforço e energia tem sido dedicado a dar resposta às solicitações e exigências colocadas pela necessidade de resolução prática do ‘rescaldo’ – seja legal/formal ou no terreno – de uma situação com esta dimensão; procurando dar a melhor resposta possível às necessidades de apoio e informação a todos os lesados. Tentando, ao mesmo tempo, sensibilizar as entidades competentes para ser encontrada uma solução que defenda o interesse das pessoas lesadas.
10. Afirmar que acreditamos que este tipo de incidentes nos alertam para a fragilidade dos sistemas (naturais e humanos), estruturas e processos em que confiamos, a que nos habituámos e entregamos, nos ajudam a tornar-nos mais conscientes dos seus limites, falibilidade e riscos. Que de casos excecionais como este podemos retirar uma enorme aprendizagem a todos os níveis. Uma aprendizagem que entendemos como um processo de tomada de consciência e crescimento, coletivo e individual. Para todos.
11. Reiterar que desejaríamos que todos pudéssemos ser ressarcidos das perdas materiais que tivemos. Não sendo economicamente possível todos sermos compensados como gostaríamos, que pelo menos possamos todos, em conjunto – pessoas lesadas, PédeXumbo, parceiros, seguradoras e entidades públicas – procurar criar possibilidades concertadas de resolução alargada e colaborativa. Numa abordagem que se enquadre no espírito do Andanças, que dê o exemplo e ajude a diminuir os danos e transtornos já sofridos por todos e a ultrapassar o mal-estar que possa subsistir.
Proposta de Grupo de Trabalho interdisciplinar e interinstitucional
12. Por último, queremos deixar a nossa vontade e disponibilidade para ajudar na prevenção, para que este tipo de incidente não se volte a repetir, procurando soluções de diálogo e concertação social alargada. Uma possibilidade é a criação de um Grupo de Trabalho interdisciplinar e interinstitucional, que aproveite este caso excepcional como caso de estudo e que trabalhe na proposta de soluções de colaboração, bem como na produção de legislação futura, que possam ser aplicáveis em festivais, festas populares e outros espaços. Estamos disponíveis para colaborar e apoiar, como pudermos, as iniciativas que vierem nesta linha de atuação, no sentido de criar uma onda de boa vontade, solidariedade e interajuda e de resposta institucional/social alargada”.

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