21 de julho de 2026

Obras de Anabela Natário e Drew Daywalt nas “Entre Leituras” na Biblioteca Municipal

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As obras “Mulheres Fora da Lei” de Anabela Natário e “O Dia em que os Lápis Fizeram Amigos” de Drew Daywalt foram os livros escolhidos pela Biblioteca Municipal Laranjo Coelho de Castelo de Vide para as “Entre Leituras” dos próximos trinta dias.
Recorda-se que a rubrica mensal “Entre Leituras” da Biblioteca Municipal Laranjo Coelho destaca, a partir do dia 15 de cada mês, duas novas obras disponíveis para leitura no espaço.
“Mulheres Fora da Lei” de Anabela Natário
Anabela Natário.
Anabela Natário é uma reconhecida jornalista e escritora portuguesa, licenciada em Línguas e Literaturas Modernas. Com uma carreira consolidada na imprensa escrita — tendo colaborado de forma marcante com publicações de grande relevo como o jornal Expresso —, Natário sempre demonstrou um interesse profundo pela história social, pela antropologia cultural e pelo papel da mulher na sociedade. A sua experiência jornalística confere às suas obras de não-ficção uma assinatura muito própria, caracterizada pelo rigor na consulta de arquivos históricos e por uma capacidade singular de traduzir documentos burocráticos e processos judiciais antigos em narrativas humanas pulsantes, acessíveis e de grande impacto cívico.
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Em "Mulheres Fora da Lei", a jornalista e escritora Anabela Natário propõe uma viagem fascinante e necessária pelos meandros da história e da criminalidade no feminino. Afastando-se dos caminhos tridimensionais das narrativas históricas convencionais — quase sempre dominadas por figuras masculinas —, a obra foca a sua atenção em mulheres portuguesas que, por força das circunstâncias, da sobrevivência ou da pura rebeldia, romperam com as normas sociais, morais e jurídicas das suas respetivas épocas. Através de uma investigação minuciosa, Natário resgata do esquecimento figuras esquecidas e marginalizadas, analisando os seus crimes não com um olhar moralista, mas sim contextualizado à luz das profundas desigualdades de género que marcaram os séculos passados.
O livro destaca-se pela sua escrita ágil, crua e profundamente envolvente, oscilando entre o rigor documental da investigação e o fôlego da narrativa literária. Ao expor casos de infanticídio, feitiçaria, adultério ou banditismo, a autora desconstrói o mito da passividade feminina histórica. Mais do que catalogar delitos, "Mulheres Fora da Lei" funciona como um espelho sociológico de um Portugal patriarcal, revelando que a linha entre a criminalidade e a legítima defesa contra a opressão era, muitas vezes, perigosamente ténue. É uma leitura essencial para compreender a evolução dos direitos das mulheres e as dinâmicas de poder na sociedade portuguesa.
“O Dia em que os Lápis Fizeram Amigos” de Drew Daywalt
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Em "O Dia em que os Lápis Fizeram Amigos", o aclamado autor Drew Daywalt regressa ao universo hilariante e expressivo dos lápis de cera do jovem Duncan. Se nas obras anteriores os lápis faziam greve ou exigiam regressar a casa após serem esquecidos nos sítios mais improváveis, este volume foca-se na harmonia, na empatia e na celebração das diferenças. Através de cartas repletas de personalidade, humor e uma ponta de drama infantil, o livro aborda a importância da partilha, da inclusão e de como a criatividade ganha uma nova vida quando as cores — e as crianças — colaboram e aceitam as particularidades de cada um.
A grande força desta obra reside na simbiose perfeita entre o texto perspicaz de Daywalt e as ilustrações icónicas de Oliver Jeffers. Cada lápis ganha uma voz única e altamente identificável, transformando uma simples caixa de ferramentas escolares numa metáfora inteligente sobre as dinâmicas sociais, a resolução de conflitos e a amizade na infância. É um livro visualmente apelativo e textualmente brilhante, que diverte os pais tanto quanto os filhos, ensinando que a verdadeira arte nasce quando todas as cores trabalham juntas.
Drew Daywalt.
Drew Daywalt é um realizador, argumentista e autor de literatura infantil norte-americano amplamente reconhecido pelo seu trabalho em Hollywood e no mundo editorial. Antes de se sagrar um fenómeno de vendas na literatura infantojuvenil (com vários dos seus livros a alcançarem o primeiro lugar na prestigiada lista de bestsellers do New York Times), Daywalt dedicou-se à escrita de guiões para cinema e televisão, navegando frequentemente entre o terror, a comédia e o género fantástico. Esta sua bagagem cinematográfica reflete-se claramente na sua escrita para crianças, caracterizada por diálogos dinâmicos, um ritmo narrativo impecável e uma capacidade extraordinária de dar vida e emoções complexas a objetos inanimados. © NCV

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