A
Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a
Cultura (UNESCO), aprovou em Outubro de 2003 a Convenção para a
Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, entrando a mesma em
vigor a 20 de Abril de 2006. Esta convenção promove a salvaguarda
do património cultural imaterial e o respeito pelo património
cultural
imaterial das comunidades, dos grupos e dos indivíduos em
causa.
A
Tauromaquia é uma das formas de expressão cultural mais
enraizadas no Alto Alentejo. Muito antes de qualquer desporto
coletivo praticado ontemporaneamente, a arte de lutar com os
ouros
tem evoluído um pouco por todo o território nacional,
mantendo
atualmente uma expressão muito forte na região.
Para
grande parte deste povo, esta é uma forma de vida, desde tenra
idade, onde é comum crianças brincarem ao toureio, como quem joga
à bola, nos recreios das escolas.
O
resultado desta expressão cultural está na quantidade de toureiros
provenientes do Alto Alentejo, contribuindo para a visibilidade de
um
território em todo o país, bem como além-fronteiras,
verdadeiros
embaixadores daquilo que é designado por festa brava.
Em
verdade, a Tauromaquia gera um significativo benefício
económico
para diversas regiões de Portugal e, para o Alto Alentejo
em
particular, nomeadamente através das ganadarias e coudelarias
«xistentes, naquela que é a região está instalada a maior parte
destas
explorações.
Não
podemos em caso algum renegar esta tradição, esta herança
cultural, própria de um povo. É normal que muitos cidadãos não
se
identifiquem com a Tauromaquia. Seguramente que em cada
português existem pontos de interesse convergentes e divergentes.
O
que sabemos é que os usos e costumes não são iguais em todo o
lado, o que é cultura numa região, pode não ter expressão
noutra,
mas jamais poderemos aceitar que existe um “certo” e um
“errado”
para definir cultura e identidade.
Mal
de Portugal se considerarmos que deveremos seguir as mesmas
tradições em todo olado e pior, se por alguma decisão
administrativa,
matarmos um bocado na nossa cultura, deixando o
nosso país mais
pobre.
Face
ao exposto, entende o Conselho Executivo da CIMAA, reunido no
dia 17
de julho de 2012, o seguinte:
1.
Reiterar a Tauromaquia como Património Cultural Imaterial do
Alto
Alentejo;
2.
Repudiar qualquer decisão administrativa que coloque em causa
tão
nobre e secular forma de expressão e identidade cultural;
3. Dar
conhecimento desta tomada de posição a Sua Excelência, o
Presidente da República, à Assembleia da República, ao
Governo,
restantes Comunidades Intermunicipais e à
comunicação social.
O
Conselho Executivo da CIMAA
Portalegre,
17 de julho de 2012


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