21 de julho de 2012

Documento:
Posição da CIMAA relativamente à tauromaquia


A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), aprovou em Outubro de 2003 a Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, entrando a mesma em vigor a 20 de Abril de 2006. Esta convenção promove a salvaguarda do património cultural imaterial e o respeito pelo património cultural imaterial das comunidades, dos grupos e dos indivíduos em causa.
A Tauromaquia é uma das formas de expressão cultural mais enraizadas no Alto Alentejo. Muito antes de qualquer desporto coletivo praticado ontemporaneamente, a arte de lutar com os ouros tem evoluído um pouco por todo o território nacional, mantendo atualmente uma expressão muito forte na região.
Para grande parte deste povo, esta é uma forma de vida, desde tenra idade, onde é comum crianças brincarem ao toureio, como quem joga à bola, nos recreios das escolas.
O resultado desta expressão cultural está na quantidade de toureiros provenientes do Alto Alentejo, contribuindo para a visibilidade de um território em todo o país, bem como além-fronteiras, verdadeiros embaixadores daquilo que é designado por festa brava.
Em verdade, a Tauromaquia gera um significativo benefício económico para diversas regiões de Portugal e, para o Alto Alentejo em particular, nomeadamente através das ganadarias e coudelarias «xistentes, naquela que é a região está instalada a maior parte
destas explorações.
Não podemos em caso algum renegar esta tradição, esta herança cultural, própria de um povo. É normal que muitos cidadãos não se identifiquem com a Tauromaquia. Seguramente que em cada português existem pontos de interesse convergentes e divergentes.
O que sabemos é que os usos e costumes não são iguais em todo o lado, o que é cultura numa região, pode não ter expressão noutra, mas jamais poderemos aceitar que existe um “certo” e um “errado” para definir cultura e identidade.
Mal de Portugal se considerarmos que deveremos seguir as mesmas tradições em todo olado e pior, se por alguma decisão administrativa, matarmos um bocado na nossa cultura, deixando o nosso país mais pobre.
Face ao exposto, entende o Conselho Executivo da CIMAA, reunido no dia 17 de julho de 2012, o seguinte:
1. Reiterar a Tauromaquia como Património Cultural Imaterial do Alto Alentejo;
2. Repudiar qualquer decisão administrativa que coloque em causa tão nobre e secular forma de expressão e identidade cultural;
3. Dar conhecimento desta tomada de posição a Sua Excelência, o Presidente da República, à Assembleia da República, ao Governo, restantes Comunidades Intermunicipais e à comunicação social.
O Conselho Executivo da CIMAA
Portalegre, 17 de julho de 2012

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