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| Dolf Janssen e Phine Verhoef . |
Em busca do paraíso alentejano
A serra de São Mamede é cada vez mais um refúgio para imigrantes do norte da Europa. Gente com dinheiro, que procura paz e sol
Em 1978, o casal Dolf Janssen e Phine Verhoef tirou um ano para ver o Mundo. Deixaram a Holanda natal e aventuraram-se por essa Europa fora, em direcção ao Sul, numa viagem que só terminou em África. Ficaram muitas recordações, mas um sítio deixou-lhes uma marca especial.
"De todo os países por onde passámos, Portugal foi o que nos ficou para sempre no coração", explica Dolf, de 65 anos, levando a mão ao peito. Viram os avanços e recuos da Reforma Agrária, comoveram-se com as decisões que se tomavam colectivamente. E depois, caiu sobre eles o Alentejo, a terra amarela e quente, o espaço, o silêncio. Decidiram que um dia fariam ali o seu lar.
Pais de dois filhos, Dolf e Phine não podiam largar uma vida de professores na Holanda de um dia para o outro. Foram fazendo planos, mas só em 2002 avançaram com a mudança mais radical das suas vidas. Venderam a casa onde viviam, nos arredores de Arnhem, e investiram tudo na Quinta do Pomarinho, uma propriedade perto de Castelo de Vide onde um alemão tinha criado um parque de campismo com turismo de habitação.
"Não viemos logo para Portugal. Ainda arrendámos uma casa para viver com os nossos filhos enquanto fazíamos obras na quinta. Só nos instalámos no Pomarinho em 2003", conta Phine, de 61 anos, ex-professora universitária de Design. Agora dedicam-se os dois a receber as dezenas de turistas - na maioria estrangeiros - que querem conhecer um Alentejo diferente, feito de montes e florestas verdejantes.
Um lugar especial
Foi por esta altura que o casal holandês conheceu a alemã Ute Bley. Nascida na antiga Alemanha de Leste, nunca se adaptou à nova nação, nascida depois da queda do Muro de Berlim. "Toda a vida procurei um sítio novo onde recomeçar a vida, mas nunca encontrei o sítio certo."
Até ao dia em que viu num jornal alemão um anúncio publicitário sobre a Quinta do Pomarinho. Telefonou para Portugal e foi atendida pelo idoso alemão que vendeu depois a propriedade aos holandeses. "Foi uma conversa estranha. Parecia que já o conhecia desde sempre. Ele disse-me que tinha de vir e que teria uma de duas reacções: ou ficava para sempre ou nunca mais voltava. Ao fim de três dias, decidi que era aqui que queria viver."
José Carlos Marques
(Correio da Manhã, 5 de Agosto)


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