25 de abril de 2015

Abertura de discussão pública da revisão do PDM:
vereadores do PS protestam forma como Presidente e maioria PSD do Executivo têm conduzido o processo

Na reunião Extraordinária do Executivo de ontem, que aprovou apenas por maioria a “abertura da discussão pública” darevisão do PDM”, os vereadores do PS mostraram o seu repúdio pelo facto de estarem a aprovar a discussão Pública de um documento que não conhecem manifestando desaprovação pela forma como tem sido conduzido este processo, que já dura faz sete anos e determinará o Desenvolvimento de Castelo de Vide e imputando total responsabilidade à maioria do Executivo e em particular ao seu presidente, António Pita.
Documento-proposta é desconhecido
O sentido de voto (abstenção) dos vereadores do PS "é inerente ao total e formal desconhecimento do processo, imputando por este facto, total responsabilidade à maioria do Executivo PSD". A decisão foi tomada sem ser conhecido qualquer documento com a proposta de PDM mas apenas de um parecer genérico da Comissão de Acompanhamento e de 18 pareceres anexos de diversas entidades, dois terços dos quais “condicionados”.
Segundo o vereador Tiago Malato, a revisão do PDM de Castelo de Vide, não foi desde o princípio vista como prioritária pela maioria PSD. Para se ter ideia durante 3 anos, entre 2012 e 2015, nenhuma reunião formal entre entidades aconteceu e agora tenta-se fechar a revisão do PDM à pressa e de forma atamancada pois se não acontecer antes de Junho, Município de Castelo de Vide ficará obrigado às novas regras da Lei de bases gerais da política pública de solos, de ordenamento do território e de urbanismo- 31/2014.
Questionam os vereadores do PS se algum agente económico e social, conhece o referido documento, ou se alguma vez foram contactados para expressar as suas necessidades, opiniões e propostas, pela equipa técnica.
Vazio e imperfeição de procedimentos
A última reunião da Comissão de Acompanhamento ocorreu apenas na última terça feira sendo que das 18 entidades que se pronunciaram em parecer final, 12 aprovaram de forma condicionada a revisão do PDM. A reunião de ontem foi convocada à pressa, para que se tenha tempo de cumprir os 30 dias de discussão pública. Na reunião foi lido um fax proveniente da CCDRA, dando como suficiente o encontro havido imediatamente após reunião de terça-feira, não se conhecendo ainda sobre o assunto, qualquer informação da Direcção Geral do Território, por lei obrigatória, que ateste a concertação necessária para a resolução dos problemas levantados pelas 12 entidades, e assim também necessária para que o plano possa ser colocado em discussão blica. Segundo os vereadores do PS as prioridades estão todas alteradas. O PDM deixou de ser um documento técnico e político, e “passou a ser um mero problema administrativo a contra relógio, arrestando tudo e todos”.
Os vereadores do PS acusam também o Presidente António Pita de ter sonegado informação sobre o processo, como sejam as atas e notas técnicas das reuniões da Comisão de Acompanhamento, e de não ter providenciado reunião prévia com a equipa técnica responsável pelos trabalhos, solicitação feita repetidamente desde o primeiro ano do mandato atual.
Revisão reduzida a processo administrativo
O Presidente da Câmara e a maioria PSD reduziu a revisão do PDM a um mero processo administrativo, não tendo dado a conhecer nem as opções políticas, nem a equipa que o desenvolve. “Nada se sabe sobre o processo. Agora está cheio de pressa, “correndo atrás do prejuízo”, como infelizmente se vai tornando habitual assistir nas decisões do Executivo. Imagine-se que, durante a reunião para aprovação do momento de discussão Pública, o Presidente comunica que após essa aprovação o responsável técnico irá fazer uma síntese do documento! Mais de um ano passado, espera assim pelo momento de aprovação para discutir em sede de vereação as opções tomadas e desconhecidas, nomeadamente pelos vereadores do PS.
Agentes locais não foram ouvidos
Lembraram que foi opção do Executivo do PSD encomendar todos trabalhos a entidade exterior ao Concelho, sediada em Aveiro, seleccionada por ter apresentado a proposta mais barata.
Ora o que está em causa é a determinação das condicionantes ao desenvolvimento do Concelho e ao não se ter aproveitado para implicar os agentes económicos, sociais e políticos, na discussão das opções políticas limitou-se o documento, que ainda não conhecem, às decisões de poucos e por ventura à opinião simples do presidente da Câmara e aos trabalhos técnicos de uma equipa formalmente desconhecida pelos agentes económicos e sociais de Castelo de Vide, acto que no entender de Tiago Malato é desrespeitoso para com a população e para com a democracia.
Relembraram os Vereadores do PS que Castelo de Vide foi conhecido por querer fazer depender o desenvolvimento do seu planeamento, tendo sido mesmo elogiado pelo então Ministro do Planeamento e da Administração do Território que enaltecia a vontade de desenvolvimento planeado de Castelo de Vide e o referia como exemplo nacional, faz mais de 25 anos! Segundo os vereadores PS, neste aspecto Castelo de Vide entrou em completa regressão.
Opções políticas não foram referidas nem discutidas
Lembram os vereadores do PS que as entidades que pertencem à comissão de acompanhamento apenas se obrigam a assegurar que o PDM cumpra a lei, sendo responsabilidade da Autarquia todas as opções políticas, e estas não foram nem referidas nem apresentadas nem discutidas pelo que provavelmente apenas integram a opinião do Presidente da Câmara sob o território.
Igualmente lembram que a responsabilidade política de todo este processo, feito de atrasos, distância à população, escolha de empresa exterior, e ultimamente de pressa atamancada, nada dignifica a política local, que tudo deve fazer pelo melhor desenvolvimento, implicação e participação cívica, pois que é do futuro de todos e de cada um que se trata.
Numa época em que se evoca o 25 de Abril, na semana em que se enaltecem os valores de Salgueiro Maia e se se compromete a construção da Casa de Cidadania, é no mínimo infeliz a conclusão que falta hoje tanto, para se fazer cumprir os valores da democracia representativa, em Castelo de Vide.
O Plano Director Municipal constitui o documento legal orientador do desenvolvimento do concelho, no mínimo para os próximos 10 anos. Depois de aprovado obrigará toda a população e actividades económicas, promovendo ou não a sua maior atractividade e o desenvolvimento em geral do concelho. © NCV

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