29 de dezembro de 2017

Câmara Municipal adianta 5000 euros à BurgoPedestal para desenvolver Festival da Água e do Tempo de 2018

A Câmara Municipal de Castelo de Vide, na sua última reunião de 2017, deliberou atribuir um subsídio financeiro de 5 mil euros à Associação “Sócio-económica” BurgoPedestal destinado ao “desenvolvimento da segunda edição do Festival da Água e do Tempo, que tem como principal objetivo a fruição do património histórico e natural da Vila de Castelo de Vide, dinamizando-o através de novos conceitos da arte contemporânea, nomeadamente performances, instalações e happenings”.
A atribuição foi efetuada no quadro do Regulamento de Apoio ao Associativismo e Iniciativas de Interesse Público do Concelho, na sequência de solicitação expressa da Associação interessada, mas apenas com os votos dos vereadores da maioria PSD no Executivo, uma vez que os vereadores do PS votaram contra e apresentaram uma circunstanciada declaração de voto justificativa dessa posição.
O valor agora alocado destina-se expressamente a custear “o início das despesas de produção de imagem e comunicação” da segunda edição do festival.
Como justificativo deste adiantamento, a proposta do Presidente da Câmara, António Pita, refere que se atendeu a que o Festival deste ano “foi considerado um sucesso comprovado pelos fluxos de visitantes que assistiram às diversas instalações do referido evento” e também de acordo com “a informação prestada pela Equipa de Avaliação”. 
A realização da próxima edição do Festival da Água e do Tempo – Clepsidra foi anunciada pela Associação para os dias 2 e 5 de Agosto do próximo ano (2018) em Castelo de Vide. Nesse sentido a organizadora já lançou uma “open call” até ao passado dia 16 de Novembro a fim de que se candidatem todos os artistas interessados em expor uma obra nesta 2ª edição do Festival.
Vereadores do PS: Autarquia tutela o festival?
Os dois vereadores do Partido Socialista declararam votar contra “esta atribuição de subsídio na forma vaga como sobe a Reunião de Câmara”. E enalteceram “a Associação Burgo Pedestal e o tecido associativo em geral, afirmando compreender as suas necessidades, nomeadamente de respeito pelo apoio, ação e promoção do seu trabalho”.
Recordaram que “o sentido do seu voto no ano passado, aquando da atribuição de maior valor, foi de aprovação”, embora “tendo na altura manifestado a intenção de não defraudar o trabalho já feito pelos associados, mas lembrando que a informação na forma como subia à Câmara indiciava por parte da autarquia uma tutela sobre o festival, não se percebendo se quem o promovia era a Burgo Pedestal ou a Câmara Municipal, socorrendo-se a uma tabela nela feita”.
Respeito pelas autonomias
Para os vereadores socialistas, podem entender-se “todas as formas de colaboração entre instituições, desde que definidas e regradas, o que será mais difícil de aceitar é que estes processo subam de forma vaga à reunião de Câmara, porque promovidos por quem se acha bastante para as opiniões e decisões sobre o concelho e suas entidades, distribuindo e induzindo processos, sem respeitar as autonomias”. 
“Condicionamento” e “controlo social”
E a acrescentaram: “este condicionamento que também é de controlo social, é promovido propositadamente e tem-se tornado normal no Concelho, pois as Associações necessitam de apoio e são obrigadas a funcionar segundo as “especificidades locais”.
“Entendem os Vereadores do Partido Socialista que a maioria do Executivo abusa na forma de se relacionar com o tecido associativo, passando a ideia de apoio facilitado e incondicional, mas não promovendo a autonomia das Associações, autonomia que implica critérios claros de seleção, abertura à participação e respeito pela individualidade e independência”, lê-se ainda na declaração de voto, que na sua parte final termina sublinhando que “a Associação em causa tem o direito de ver normalizado o seu tratamento”. © NCV

1 comentário:

Tiago Malato disse...

O pedido / solicitação expressa, como diz o texto , NÃO Foi previamente enviado para conhecimento prévio dos vereadores . Igualmente não se conhece qualquer relatório de avaliação do evento anterior.
O presidente diz que existe mas não há dele conhecimento nem formal nem informal.