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8 de fevereiro de 2022

No 100º aniversário de Nuno Teotónio Pereira:
concerto recuperou "obra esquecida" do compositor barroco António Pereira da Costa (1697-1770)

Fotos © D.R./NCV
No passado sábado dia 5 de Fevereiro fez-se história em Castelo de Vide. Por ocasião da homenagem ao arquiteto Nuno Teotónio Pereira, foram revelados em concerto três dos cinco “Concertos Grossos para Orquestra”, uma obra esquecida do compositor barroco do século XVIII António Pereira da Costa (1697-1770).
Estes concertos, editados em Londres em 1741, nunca foram nem tocados em público nem devidamente reconhecidos. A edição em causa estava repleta de falhas e omissões, facto que contribuiu também para o esquecimento e abandono das mesmas, apesar da vaga notícia de sua existência.
Durante a semana passada (de 3 a 5) reuniram-se 17 estudiosos de música antiga e músicos de “primeira água”, oriundos de Portugal, Itália, França e Espanha, Brasil, Uruguai, para concretizarem a primeira gravação mundial desses cinco “Concertos Grossos Para Orquestra” que será distribuída em forma de CD.
Este trabalho foi iniciado por João Paulo Janeiro em 2008 e reforçado pela integração progressiva de especialistas em que se destacam Lorenzo Colitto, Jean-Marc Faucher, Marecelo Scandelli e Yannick Varlet, que durante mais de uma década reconstituíram criteriosamente as partituras em causa.
Após edição este CD será convenientemente lançado ao público, ficando esta obra importantíssima obra para sempre ligada a Castelo de Vide.
Michael Leodolter e o barroco
Há mais de um ano que Tiago Malato e João Paulo Janeiro partilham ideias para o reforço e integração da música e desenvolvimento territorial e artístico, implicando em particular o Alto Alentejo.
A ação consubstancia-se através da Associação Michael Leodolter (em desenvolvimento), centrada em Castelo de Vide, que se dedica às áreas de interesse do seu patrono, onde o barroco assume importância particular.
Trabalho de recuperação durou 14 anos
No início do concerto, Tiago Malato enunciou sucintamente quer os apoios que tornaram possível esta gravação em Castelo de Vide e o próprio concerto após 14 anos de estudo e trabalho de recuperação de partituras para “trazer à luz, revelar, esclarecer, honrar o passado construindo futuros. Partilhar. São valores que hoje comemoramos nesta homenagem a Nuno Teotónio Pereira”.
O exemplo e a inspiração cívica de um “arquiteto maior”
Para Tiago Malato, “Nuno Teotónio Pereira, arquiteto maior, é simultaneamente uma figura maior para muitos que nele tomaram exemplo e inspiração cívica. O Nuno era exemplo de verdade e comunhão, não lhe assistindo o cinismo. Foi um combatente corajoso de todas as horas, pela emancipação humana”.
“Homem de Fazer, de escutar e de promover encontros, cultuava a partilha de ação e o trabalho de equipa, não sendo de todo tocado pela vaidade ou pelo culto da personalidade”.
“A sua obra acontece entre a arquitetura, e a ação cívica, de quem o Nuno se fez sempre instrumento”.
“Sonhou e trabalhou ativamente na defesa das formas e dimensões de habitar dignas e acessíveis a todos sem exceção, ou não fosse a habitação e o habitar os territórios, um direito maior de cidadania”.
“Antes e depois do 25 de Abril o Nuno investiu inteiro na construção da democracia participada em que acreditava, nunca vacilando ou se acomodando a outros valores que a verdade e a conquista da liberdade e da emancipação comunitária. Os outros, sempre foram a sua maior motivação”.
“O combate pela emancipação, pela escuta do outro, pela simplicidade, pela memória, e pelo desenvolvimento comum, continua e é, hoje mais que ontem, necessário”.
“No Mundo, na Europa, no país e no Alto Alentejo.
Que o seu exemplo de verdade ao serviço “dos outros”, nos sirva a todos, de incentivo e orientação”. © NCV
Fotos © D.R./NCV


5 de fevereiro de 2022

Concerto evoca centenário de Nuno Teotónio Pereira esta tarde (17 horas) no Convento de S. Francisco

Clicar na imagem para ampliar o cartaz.

Realiza-se este sábado dia 5 de Fevereiro pelas 17 horas na Igreja do Convento de S. Francisco. um concerto evocativo no âmbito do Centenário do Nascimento do Arquiteto Nuno Teotónio Pereira.
Trata-se dos “Concertos Grossos para Orquestra" de António Pereira da Costa (1697-1770) pelo grupo Flores de Mysica - Early Music Ensemble, com Lorenzo Collito no concertino e João Janeiro no cravo e direção.
Gravação de registo em Castelo de Vide
A iniciativa é da Música Antiga-Associação Cultural e da Michael Leodolter Associação (em formação) com o apoio da Câmara Municipal de Castelo de Vide e da Fundação Nossa Senhora da Esperança, e decorre no quadro da gravação de um primeiro registo mundial daqueles concertos que tem lugar em Castelo de Vide esta semana na Igreja de Nossa Senhora dos Remédios (cedida ela Paróquia) e envolveu um grupo de 17 músicos e técnicos de som oriundos de diversos países. © NCV

1 de fevereiro de 2022

Concerto evocativo do centenário do arquiteto Nuno Teotónio Pereira no sábado em Castelo de Vide

Clicar na imagem para ampliar o cartaz.
Realiza-se no próximo sábado dia 5 de Fevereiro pelas 17 horas na Igreja do Convento de S. Francisco. um concerto evocativo no âmbito do Centenário do Nascimento do Arquiteto Nuno Teotónio Pereira, conforme o NCV noticiou em primeira mão (ver notícia
AQUI).
Trata-se dos “Concertos Grossos para Orquestra" de António Pereira da Costa (1697-1770) pelo grupo Flores de Mysica - Early Music Ensemble, com Lorenzo Collito no concertino e João Janeiro no cravo e direção.
Gravação de registo em Castelo de Vide
A iniciativa é da Música Antiga-Associação Cultural e da Michael Leodolter Associação (em formação) com o apoio da Câmara Municipal de Castelo de Vide e da Fundação Nossa Senhora da Esperança, e decorre no quadro da gravação de um primeiro registo mundial daqueles concertos que terá lugar em Castelo de Vide entre os dias 1 e 6 de Fevereiro na Igreja de Nossa Senhora dos Remédios (cedida ela Paróquia) e envolve 17 músicos e técnicos de som oriundos de diversos países. © NCV

30 de janeiro de 2022

Atribuída a título póstumo a Medalha de Ouro da Vila de Castelo de Vide ao arquiteto Nuno Teotónio Pereira
- entrega no próximo Dia do Município (18 de Abril)

Arquiteto Nuno Teotónio Pereira.
A Câmara Municipal de Castelo de Vide deliberou por unanimidade atribuir a título póstumo a Medalha de Ouro da Vila de Castelo de Vide ao arquiteto Nuno Teotónio Pereira, falecido em 20 de Janeiro de 2016 e que faria 100 anos precisamente hoje, dia 30 de Janeiro.
A medalha será entregue à família numa cerimónia que se encontra prevista no próximo Dia do Município que este ano se celebra no próximo dia 18 de Abril.
Proposta de Nuno Calixto
A proposta foi apresentada pelo vice-presidente da Câmara Municipal de Castelo de Vide, Nuno Calixto, no âmbito do regulamento das Distinções Honoríficas do Concelho de Castelo de Vide e considera que o arquiteto “desenvolveu um trabalho singular” no concelho “dada a sua ligação de proximidade com o território e a própria Comunidade”. A proposta sublinha ainda “a sua inestimável ação técnica de apoio aos Executivos Municipais da década de 80” considerada fundamental para o pensamento do desenvolvimento do concelho”.
Concerto evocativo no sábado dia 5 de Fevereiro
No âmbito da celebração local do 100º aniversário do arquiteto Nuno Teotónio Pereira terá lugar no próximo sábado dia 5 de Fevereiro um concerto “Concertos Grossos para Orquestra: António Pereira da Costa” pelas 18 horas na Igreja do Convento de S. Francisco.
A iniciativa é da Música Antiga-Associação Cultural e da Michael Leodolter Associação (em formação) com o apoio da Câmara Municipal de Castelo de Vide e da Fundação Nossa Senhora da Esperança, e decorre no quadro da gravação de um primeiro registo mundial daqueles concertos que terá lugar em Castelo de Vide entre os dias 1 e 6 de Fevereiro na Igreja de Nossa Senhora dos Remédios (cedida ela Paróquia) e envolve 17 músicos e técnicos de som oriundos de diversos países.
Família celebra centenário com website evopcativo
Nuno Teotónio Pereira faleceu no dia 20 de Janeiro de 2016 na sua casa em Lisboa a escasos dez dias de celebrar aquele que seria o seu 94º aniversário, já que nasceu no dia 30 de Janeiro de 1922, faz hoje precisamente 100 anos.
Os seus filhos e netos lançam hoje um website evocativo da sua figura e da sua obra (ver AQUI) idealizado para “dar a conhecer uma série de conteúdos próprios do Nuno que foram sendo recolhidos ao longo da sua vida” e que “servirá também como ponto de divulgação privilegiado do que estiver para acontecer e do que se for concretizando no âmbito do centenário”.
Segundo informação da família, este website “assenta em três pilares: 1) dar a conhecer a pessoa, a sua vida e obra; 2) facilitar e estimular a investigação sobre a sua obra e época; 3) manter ligações entre causas e projetos em que ele se envolveu e os mesmos na atualidade".
Ligação a Castelo de Vide
Figura destacada do urbanismo e da habitação em Portugal esteve sempre muito ligado, pessoal e profissionalmente, a Castelo de Vide e à região. Na altura da sua morte era o associado nº 270 do grupo de Amigos de Castelo de Vide.
A família tem casa em Marvão e o seu filho Miguel Teotónio Pereira trabalha na Biblioteca Municipal Laranjo Coelho de Castelo de Vide; também o seu neto Tiago Pereira vive e trabalha na região (Portalegre e Marvão).
Profissionalmente, o arquiteto foi o autor dos Planos Gerais de Urbanização de Castelo de Vide (1980-1982) e de Póvoa e Meadas (1985), no primeiro caso , coadjuvado por João Reis Gomes.
Com Ana Rita Santos Jorge desenvolveu entre 1989 e 1991 um projeto para a a Reabilitação do Castelo e Muralhas de Castelo de Vide infelizmente abandonado.
E entre 1992 e 1995 preparou o Plano Diretor Municipal de Castelo de Vide em colaboração com Luís Sá Pereira e Miguel Aragão.
Uma vida de trabalho
Nascido em Lisboa, em 1922, formou-se em arquitetura pela Escola de Belas Artes de Lisboa, foi autor e co-autor de dezenas de projetos e também um histórico defensor de direitos cívicos e políticos durante o regime salazarista.
Em Abril de 2015, Nuno Teotónio Pereira foi distinguido com o Prémio Universidade de Lisboa 2015, pelo exercício “brilhante” na área da arquitetura e como “figura ética”.
Entre outros, são da sua autoria – ou em co-autoria com arquitetos como Nuno Portas, Bartolomeu Costa Cabral e João Braula Reis – o Bloco das Águas Livres, classificado em 2012 como monumento de interesse público, a Torre de Habitação Social nos Olivais Norte, o chamado Edifício "Franjinhas" e a Igreja do Sagrado Coração de Jesus, projetos realizados em Lisboa, distinguidos com Prémios Valmor.
Por outro lado, Teotónio Pereira foi um dos arquitetos pioneiros na área da habitação social, tendo projetado não só para Lisboa, mas também para Braga, Castelo Branco, Póvoa de Santa Iria, Barcelos e Vila Nova de Famalicão, nos anos de 1950 a 1970.
Entre 1948 a 1972, foi consultor de Habitações Económicas na Federação das Caixas de Previdência. Realizou o primeiro concurso para habitações de renda controlada.
Foi galardoado com o 2.º Prémio Nacional de Arquitetura da Fundação Calouste Gulbenkian (1961), pelo Edifício das Águas Livres, e Prémios Valmor para a Torre de Habitação nos Olivais Norte (1967), Edifício Franjinhas (1971) e Igreja do Sagrado Coração de Jesus (1975).
Era membro honorário da Ordem dos Arquitetos desde 2004 e doutor “honoris causa” pela Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto (2003) e pela Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa (2005).
Em 2012 foi escolhido pela Igreja Católica para receber o Prémio Árvore da Vida – Padre Manuel Antunes desse ano, atribuído pelo Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura. © NCV