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9 de julho de 2011

Inaugurado esta manhã em Póvoa e Meadas
painel que assinala 500 anos do Foral Manuelino

Painel de Azulejos reproduzindo o frontespício do Foral Manuelino de Póvoa e Meadas inaugurado esta manhã na Torre do relógio naquela povoação do concelho. Acompanhado por um "bolo de aniversário. Tudo por iniciativa da Junta de Freguesia.
A execução do painel foi confiada a Francisco Abrantes (Azulejos da Vila) e a do bolo à Pastelaria Sol Nascente. © NCV

Painel de Azulejos na Torre do relógio marca 500º aniversário do Foral Manuelino de Póvoa e Meadas


Hoje de manhã - pelas 10:30 horas – será descerrado em Póvoa e Meadas um mural de azulejos reproduzindo o frontespício da carta de foral de Póvoa e Meadas datada de 29 de Março de 1511.
Estarão presentes, para além de membros da Junta e da Assembleia de Freguesia, o vice-Presidente da Câmara Municipal de Castelo de Vide, António Pita, e José Manuel Tobar em representação da Assembleia Municipal
O painel foi colocado na torre do relógio em Póvoa e Meadas por iniciativa da Junta de Freguesia de Nossa senhora da Graça, que o encomendou a Francisco Abrantes (Azulejos da Vila) e será inaugurado oficialmente no próximo sábado de manhã (10:30 horas).
Entretanto, o NCV está em condições de anunciar desde já que as comemorações do 500º aniversário do Foral Manuelino de Póvoa e Meadas prosseguem em Agosto durante as Festas de Verão daquela localidade e incluem uma exposição documental e uma conferência que será proferida pelo historiador local Jorge Rosa. © NCV

4 de julho de 2011

Mural de azulejos montado na Torre do Relógio
celebra 500 anos do Foral de Póvoa e Meadas

Aspecto do futuro mural ainda em plena fase de execução.
Frontespício da carta de foral de Póvoa e Meadas, um mural de azulejo que está a ser montado hoje na torre do relógio em Póvoa e Meadas. 
O mural de azulejo foi encomendado pela Junta de Freguesia de Póvoa e Meadas a Francisco Abrantes (Azulejos da Vila) e será inaugurado oficialmente no próximo sábado de manhã (10:30 horas). © NCV

29 de março de 2011

Efeméride: passam hoje 500 anos
do Foral de D. Manuel I a Póvoa e Meadas


 
Passam hoje dia 29 de Março 500 anos desde a data em que El-Rei D. Manuel I concedeu um novo foral à Vila de Póvoa e Meadas.
Para assinalar a efeméride, o NCV publica hoje aqui um artigo que solicitou ao historiador local, Jorge Rosa, e que será também publicado na edição impressa relativa ao mês de Abril.
500 anos do Foral de Póvoa e Meadas
No dia 29 de Março de 2011 passam precisamente 500 anos desde que D. Manuel outorgou, em Lisboa, um novo foral à vila de Póvoa e Meadas. A concessão deste foral inseriu-se no vasto movimento de reforma dos forais ordenado pelo rei Venturoso. Com tal reforma pretendia o Rei conseguir dois objectivos fundamentais: normalizar, tanto quanto possível, os direitos e deveres de senhorios e foreiros, por forma a assegurar uma melhor e mais eficaz Administração Pública e corrigir os muitos abusos dos senhorios que, ao longo dos anos foram adulterando as normas porque se regiam os seus domínios e de que o Povo, através dos seus representantes às Cortes, insistentemente se queixava.
O resultado desse gigantesco trabalho foi compilado no Livro de Leitura Nova de D. Manuel, assim chamado porque foi escrito num novo tipo de letra de mais fácil leitura e que evitava interpretações abusivas do articulado dos forais. Nessa compilação não estão os originais completos dos documentos mas, tão só, um enunciado ou sumário dos capítulos alterados ou acrescentados sobre o primitivo articulado.
Do primeiro foral da vila da Póvoa nada sabemos, mas, pela leitura deste novo foral, ressalta evidente que terá existido um anterior e que, entre outras disposições, estabelecia regras para os chãos e hortas particulares, para as casas dos moradores da vila, para o uso dos fornos e para o regime de exploração do Mato da Póvoa.
Embora o novo foral se refira à vila de Póvoa e Meadas não deixa de assinalar que havia um estatuto diferente entre a Póvoa e as Meadas, continuando estas, a serem consideradas reguengo da Coroa. E é, talvez, por causa deste pormenor diferenciador que sabemos bem mais sobre os primeiros forais das Meadas do que sabemos da Póvoa. Vale, pois, a pena, recapitular o que chegou até nós desses primitivos forais.                 
O primeiro foral de que há memória foi concedido por volta de 1243/5 pelo Infante D. Fernando, quarto filho do Rei D. Afonso II, que ficou conhecido pelo cognome de Infante de Serpa na sua qualidade de Governador da Beira, cuja jurisdição se estenderia até esta região do actual Alto Alentejo. A referência a este foral surge no contexto de um conflito, arbitrado por D. Afonso V em Setembro de 1466, que opôs Pedro de Moura, donatário das vilas da Póvoa e das Meadas, ao Concelho de Castelo de Vide sobre o direito dos lavradores desta vila poderem agricultar nas terras das Meadas. No decurso da apresentação de argumentos de parte a parte, o Concelho de Castelo de Vide juntou ao processo uma cópia do foral dado aos moradores das Meadas pelo «Infante Dom Fernamdo filho delRei Dom Afomsso, que foy destes Regnnos».
A sentença de D. Afonso V informa-nos que o donatário receberia: «de todo o pam, vinho, linho cebollas alhos que hy colhessem ... de ssete huum em paz e em ssalvo em cada huum anno». Daqui podemos concluir que naquela época haveria na Meada um conjunto de casais com capacidade para manter uma actividade agrícola que incluía o cultivo de cereais, vinha e algumas hortas. O foral inseria-se na política de povoamento desta região fronteiriça. Apesar dos vestígios arqueológicos da zona: o famoso Menir da Meada, a represa romana da Tapada Grande, as lagariças e sepulturas escavadas na rocha e os safurdões revelarem uma ocupação humana, praticamente contínua, desde o neolítico até à Idade Média, a verdade é que as sucessivas guerras e, em particular a Reconquista, terão despovoado muitas regiões.
Se tivermos em conta os forais dados às localidades desta região do actual Nordeste Alentejano, somo levados a concluir que o foral da Meada é dos primeiros a ser outorgados e se excluirmos as iniciativas associadas às Ordens Militares, será mesmo o segundo foral conhecido nesta zona. A lista de forais das terras vizinhas é a seguinte: 1126 Marvão (D. Sancho II), 1229 - 1232 Nisa (Mestre dos Templários Frei Estêvão de Belmonte), 1232 Crato (Prior do Hospital D. Mem Gonçalves), 1243 – 1245 Meadas (Infante D. Fernando), 1255 Arronches (D. Afonso III), 1256 Amieira (Prior do Hospital D. Gonçalo Viegas), 1310 (D. Diniz) e anterior a 1342 Montalvão (Mestre da Ordem do Templo).
O segundo foral das Meadas foi concedido em 23 de Julho de 1310 (1348 da era de César), pelo Infante D. Afonso, segundo filho de D. Afonso III e irmão do Rei D. Diniz. E sabemos por César Videira, autor da monografia Memória Historica da muito notavel villa de Castello de Vide que se encontra no tombo da Câmara Municipal de Castelo de Vide.
O Infante D. Afonso pretendia aumentar o povoamento do seu herdamento das Meadas e, por isso, dava aos seus moradores e aos que lá se viessem a fixar aquelas terras, com todas as pertenças e melhorias, mediante o pagamento da sétima parte de pão (trigo), vinho, linho, dos moinhos (farinha) e pisões (panos), alhos e cebolas. A forma de entrega de cada um destes géneros era também determinada do seguinte modo: o trigo era entregue na eira já debulhado e limpo, o vinho era recolhido já armazenado numa dorna (recepiente feito de ripas de madeira), o linho só era entregue depois de seco no tendal e os alhos e cebolas deviam ser enrestados, isto é, agrupados e unidos em réstias. Para além destes pagamentos estavam também obrigados a dar ao Senhorio uma certa porção porção de trigo e capões (galos) que eram recolhidos pelos seus criados nas casas de cada morador pelo S. Miguel (Setembro). Era permitido aos foreiros vender as suas terras nas condições estipuladas no foral desde que o não fizessem a clérigo, cavaleiro ou qualquer outro homem  filho de algo (fidalgo), ordem eclesiástica, judeu ou mouro. Esta última disposição é bem reveladora do propósito povoador do Infante e, ao mesmo tempo, defensivo da integridade do seu domínio. E também deixa perceber que a política de tolerância para com as minorias judaica e muçulmana tinha limites de forma a assegurar o seu controlo.
Durante mais de 159 anos a vila da Meadas e os seus moradores foram, com mais ou menos conflitos com os sucessivos senhorios das terras, gerindo autónomamente as suas vidas. Mas, em 16 de Setembro de 1466 a pacatez da sua existência, começou a mudar. Nessa data D. Afonso V, faz doação da jurisdição cível e crime da vila das Meadas e seu termo a Pedro de Moura, tal como consta na “Chancelaria de D. Afonso V”: «...teemos por bem e damoslhe que elle tenha dagoremdiante de nos em sua vida a jurdiçom çiuell e crime da villa das meadas e seu termo de que ho temos pella guisa que a nos tinhamos reservando para nos a correiçom e allçada »
Pedro de Moura iniciou, logo que tomou posse das Meadas e também da Póvoa, uma série de iniciativas com vista a reduzir os custos com a administração das duas vilas. Socorrendo-se de subterfúgios e falsas informações acerca da população das Meadas e do seu real rendimento logrou convencer o Rei D. Afonso V a conferir-lhe a jurisdição das vilas de acordo com os seus interesses. Em 1469 alegando a escassez de moradores nas Meadas, faz um pedido ao rei para juntar a jurisdição das Meadas à da Póvoa, já que, como argumentava, aquela vila, ao contrário desta, se encontrava despovoada, apenas lá residindo temporariamente um mordomo que lhe tratava da lavoura. O rei, tendo em conta a argumentação de Pedro de Moura, que invocara também os custos de manter Juízes de Fora para as duas vilas, concede a que a jurisdição das Meadas passe a depender da Póvoa, passando os juízes, alcaides, vereadores e almoçaté a exercerem nas duas vilas.
Estava assim dado o primeiro e decisivo passo para juntar as vilas da Póvoa e das Meadas, junção essa, que viria a ser oficialmente confirmada no Foral de D. Manuel de 1511 onde se diz: «... este foral dado à nossa villa de Póvoa e Meadas ... ». Podemos, então, considerar que se deve a Pedro de Moura a fusão das duas vilas da qual resultaria a actual designação da nossa terra.
E assim chegámos ao foral de D. Manuel que agora comemoramos.
O foral de Póvoa e Meadas vigorou até 13 de Agosto de 1832. Nesse data foi publicada a chamada ‘Lei dos forais’ da autoria do ilustre estadista castelovidense Mouzinho da Silveira que aboliu todos os forais outorgados por reis ou donatários. Na prática, porém, continuaram a pagar-se foros na Póvoa até ao início do século XX, só sendo definitivamente extinto com a venda dos bens do Conde de Linhares seu último donatário.                                                                                                                          
Jorge Rosa