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15 de maio de 2020

Efemérides: Jaime Martins Barata faleceu há 50 anos

A 15 de Maio de 1970, morre Jaime Martins Barata, filho do alpalhoeiro José Pedro Barata, homem ligado ao campo, e de Antónia de Jesus Martins, professora de Cardigos a leccionar em Alpalhão. Que quatro anos antes já tinham sido pais de outro personagem fascinante: José Pedro Martins Barata, militar e veterinário, mas principalmente intelectual multifacetado a quem o Património, no sentido mais alargado, de Montalvão e Póvoa e Meadas, tanto deve.
Jaime Martins Barata, nascido na Herdade do Pereiro, então freguesia de Santo António das Areias e hoje da Beirã, onde seu pai era feitor, já foi batizado na Póvoa. Ficando orfão de pai aos cinco anos, segue com a mãe e o irmão para Portalegre e depois para Lisboa. Aí convive com gentes ligadas às artes e ensina Desenho no Liceu Pedro Nunes, voltando aos vinte e quatro anos ao de Portalegre, mas agora como professor. Ao mesmo tempo foi aprimorando a sua arte sempre rigorosa na obediência à veracidade histórica. E que ficou registada em selos, moedas, notas, tapeçarias, painéis, pinturas de grandes dimensões para vários Palácios da Justiça, nos Trípticos da escadaria nobre da Assembleia da República, ou no fresco da igreja da " sua aldeia " - a Póvoa e Meadas.
Fica ainda a nota de ter sido para Martins Barata que Fernando Pessoa declamou em novidade o poema " O menino de sua mãe " o tal que " jaz morto e arrefece" como o nosso pintor, no dia de hoje, há cinquenta anos.
José Caldeira Martins

13 de outubro de 2018

Cristovam Pavia morreu faz hoje 50 anos



Poema “Litania Da Rua Dos Fanqueiros” dito por José Maria Alves
Cristovam Pavia, pseudónimo literário de Francisco António Flores Bugalho morreu faz hoje 50 anos em Lisboa. Tinha acabado de completar 35 anos de idade pois nascera em Lisboa a 7 de Outubro de 1933.
Francisco António Flores Bugalho viria a revelar a seu valor intelectual no campo das letras, como poeta, assinando com o pseudónimo "Cristovam Pavia".
Tímido e introvertido por natureza, mas dotado desde novo de notável apetência para as coisas do espírito, era filho do Dr. Francisco José Lahmeyer Bugalho e de Guilhermina Mimoso Flores Bugalho, neto paterno de Francisco José Bugalho e de Sofia Lahmeyer Bugalho, e materno do Prof. Dr. António Pereira Flores e de Cecília Baptista Mimoso Flores.
Recebeu o sacramento do baptismo na Igreja da Senhora da Luz, junto à quinta dos seus avós maternos, em Castelo de Vide, a 2 de Janeiro seguinte, ministrado pelo Padre Severino Dinis Porto, sendo seus padrinhos o avô materno e Maria Vicência Bugalho Mouta.
Licenciou-se em filologia Germânica na Faculdade de Letras de Lisboa em 1955. Cristovam Pavia publicou "Trinta e Cinco Poemas", o único livro de poemas em sua vida.
Em 1982, já muito depois da sua morte (em 1968), e por iniciativa da família e de amigos, foi publicado um livro com esses 35 poemas, mas acrescentado dos «poemas esparsos» e dos «poemas inéditos». Esse o livro foi reeditado no final de 2010 pela Editora D. Quixote, desta vez com uma ordem que os estudiosos do autor consideraram ser mais correcta. Com 288 páginas, o novo volume intitula-se “Poesia” e inclui 8 textos inéditos.
Mais recentemente - já este ano – surgiu uma nova reedição (ampliada) com o título “35+15 Poemas” (ver notícia AQUI). © DSCordeiro/NCV
Foto © A. Cruz/NCV
REQUIEM 
(ao menino morto, eu próprio) 
A tarde declina com uma luz ténue.
Estou grave e calmo.
E não preciso de ninguém
Nem a luz da tarde me comove: entendo-a.
Até as imagens me são inúteis porque contemplo tudo.

Os ventos rodam, rodam, gemem e cantam
E voltam. São os mesmos.
Como os conheço desde a infância!
E a terra húmida das tapadas da quinta...
O estrume da égua morta quando eu tinha seis anos
Gira transparente nesta brisa fria...
(Na noite gotas de orvalho sumiam-se sob as folhas das ervas)
Oh, não há solidão, nas neblinas de inverno
Pela erma planí­cie...

E foi engano julgar-te morto e tão só nas tapadas em silêncio...

Agora sei que vives mais
Porque começo a sentir a tua presença, grande como o silêncio...
Já me não vem a vaga tristeza do teu chamamento longí­nquo
Já me confundo contigo.
Cristovam Pavia


Poema “Ao meu cão Fixe” dito por José-António Moreira.

13 de maio de 2018

Edifício dos CTT em Castelo de Vide
foi inaugurado faz hoje 60 anos

Foto © NCV
No dia 13 de Maio de 1958, “realiza-se a inauguração do edifício dos CTT em Castelo de Vide. A velha estação, instalada num 1º andar da Rua Mousinho de Albuquerque (Rua da Alfândega), há muito que já não satisfazia o crescente movimento postal, telegráfico e telefónico da vila.
Aguardada com alguma expectativa, realiza-se a inauguração do edifício dos CTT em Castelo de Vide, pois a velha estação, instalada num acanhado 1º andar da Rua Mousinho de Albuquerque – Rua da Alfândega – local de incómodo acesso, de há muito que já não satisfazia o crescente movimento postal, telegráfico e telefónico da vila.
Cerca das 11 horas concentram-se junto do edifício dos Paços do Concelho todas as entidades oficiais e particulares convidadas e muito povo. À hora prevista chegaram ali os senhores Director Joaquim Correia, o Chefe de Serviços Costa Cabral, chefe da Circunscrição de Exploração do Alto Alentejo, José Oliveira, acompanhados pelos Senhores Professor Francisco Velez Tavares e Geraldo António Calha, respectivamente vereador do Município e chefe dos CTT locais, que tinham aguardado estas entidades junto da nova estação dos Correios, na Carreira de Baixo. 
A Banda União Artística toca então o Hino Municipal, sendo as entidades recebidas em seguida pelo Presidente da Câmara Dr. José Vicente Branco do Casal Ribeiro, que em breves palavras cumprimentou e agradeceu ao Director Joaquim Correia o benefício, louvando a boa orientação dos seus serviços. Por sua vez o Director Joaquim Correia agradeceu as palavras que lhe foram dirigidas e, com a presença de grande número de pessoas, encaminharam--se para o novo edifício, de óptima situação, com frentes para o Jardim Gonçalo Eanes e para a Rua de Olivença, onde, depois da inauguração, o Director proferiu algumas palavras sobre o acto. Procedeu-se então à bênção da nova estação dos CTT, pelo Vigário Rev.º Padre Albano da Costa Vaz Pinto. Pouco depois, e após um breve passeio à Senhora da Penha, proporcionado aos visitantes, realizou-se um almoço particular em casa do Presidente da Câmara, na Quinta da Moutosa.
Clicar na imagem para ampliar o panfleto.
O edifício do novo Correio foi estudado e planeado pela Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais. O Correio-mor estivera em Castelo de Vide em 29 de Março de 1952, escrevendo a propósito da estação dos correios da Rua Mousinho de Albuquerque: "... a casa não tem condições e a instalação é francamente má".
O primeiro serviço "Postal-Telegráfico" em Castelo de Vide data de 1882, ano em que em 26 de Julho foi feita a admissão provisória de Joaquim Celestino Nini, que terá sido, portanto, o primeiro funcionário dos CTT em Castelo de Vide. E assim, a partir dessa altura, já com o telégrafo, foram progressivamente ficando para trás os velhos sistemas de comunicações, de levar e trazer correspondência, que durante muito tempo era apenas às quartas e sábados.
Em 7 de Dezembro de 1899 foi arrendada a Adriana Augusta de Sousa Lemos Moreira, pela quantia de 15$000 anuais, uma casa para este serviço; em Abril de 1904 outra a Vicência Mimoso Rolo pela quantia de 60$000 anuais, passando a 36$000 em Julho do mesmo ano; e ainda uma outra em 1911 a João José Carreiras por 2.830$000 mensais, casa esta situada na Rua da Alfândega, onde se manteve a Estação dos Correios até à passagem para o novo edifício, que nesta data é inaugurado, e cuja obra fora adjudicada em 1956.
Com o título de "Inauguração das Novas Instalações do Correio de Castelo de Vide", e com a fotografia do edifício na capa, a Administração-Geral dos Correios Telégrafos e Telefones, editou um panfleto alusivo à inauguração acontecida neste dia, com a descrição da obra, um artigo da autoria de Francisco Bugalho, "Paisagem" extraído de "Terra-Mãe", e excertos de "Terra Alta - Antologia de Castelo de Vide", intitulados "Visão Impressionista".
Diogo Salema Cordeiro 
(in “Efemérides de Castelo de Vide”, página 96)

31 de maio de 2013

Efemérides:
Câmara Municipal recorda tragédia de há 50 anos

A Câmara Municipal de Castelo de Vide recorda hoje no seu sítio Internet a tragédia que ocorreu precisamente há 50 anos durante a visita do Presidente da Reṕública Almirante Américo de Deus Rodrigues Thomaz. Um acidente com o lançamento de foguetes que provocou um forte rebentamento que provocou a morte de duas alunas da escola primária sobre as quais literalmente saltou a porta na base da Torre do Relógio.
Fê-lo através de um artigo assinado por Carolino Tapadejo que a seguir se publica na íntegra, com a devida vénia.
A Redacção do NCV

31 de Maio de 1963, 

dia de Tragédia em Castelo de Vide

Tudo estava preparado para ser um dia de festa, com a recepção ao Presidente da República, Almirante Américo Tomaz.
A Carreira de Cima engalanou-se para receber o Chefe de Estado mas, rapidamente, tudo se transformou em tragédia, porque depois da recepção nos Paços do Concelho e já com a comitiva presidencial de saída da Vila, rumo à Quinta do Prado, onde iria ser servido o almoço, ouviu-se um enorme estrondo vindo da torre do relógio. De imediato instalou-se o pânico, com toda a gente desorientada, sem saber o que fazer nem para onde ir. Viam-se elementos da GNR e da PIDE de arma em punho, pois, numa primeira reacção pensaram tratar-se de um atentado. Foi rebate falso pois o que aconteceu, foi que dois funcionários da Câmara, encontravam-se no telhado do edifício a deitar foguetes e morteiros, quando um foguete, em vez de subir, entrou para dentro da torre através da janela do sino e veio a rebentar no seu interior, provocando a detonação de alguns morteiros que se encontravam guardados por detrás da porta da torre. Como resultado da detonação, a porta da torre rebentou, projetando-se para o exterior, atingindo duas meninas da escola que ainda se encontravam no passeio à frente da referida porta, provocando-lhes a morte.
Eu tinha 15 anos e encontrava-me em frente da porta onde hoje funciona a tesouraria municipal, acompanhando o Mestre João Mouta e o José Samarra, que ostentava o pendão dos Ferreiros.
Recordo-me de olhar para o cimo da torre, o mostrador do relógio já havia desaparecido e os ponteiros apontavam na direção da rua de Marmelo. Momentos depois, vi passar as duas meninas nos braços de dois bombeiros, o comandante Carlos Santos e o enfermeiro Augusto Rainho que seguiam na direção do Hospital da Misericórdia.
Ao tomar conhecimento da tragédia, o Chefe de Estado, cancelou o almoço e a continuação da visita para Castelo Branco, passando ainda pelo hospital a fim de se inteirar do estado das vítimas, sendo-lhe aí confirmado o resultado da tragédia. O acidente viria ainda a provocar outras vítimas com ferimentos vários.
Mais tarde o Presidente da República voltaria a Castelo de Vide, colocando duas palmas em bronze nas campas das malogradas crianças.
Porque não mais saiu da minha mente o horror daqueles momentos terríveis, quero deixar aqui o meu testemunho na data em que se evoca o 50º aniversário de tão fatídico acontecimento.
Castelo de Vide, 31 de maio 2013

Carolino Tapadejo

5 de outubro de 2012

Cartas ao Director:
"Aos que não sabem… a inclusão faz a diferença!"

Tourada na Praça de S. Roque faz hoje 60 anos.
Da nossa leitora Maria Ana Manso Salgueiro recebemos a seguinte carta que, pela sua actualidade, a seguir reproduzimos na íntegra:
"Aos Responsáveis e Munícipes de Castelo de Vide

Aos que não sabem… a inclusão faz a diferença!
Talvez porque ando um pouco distraída, ou porque ando de certa forma ausente, não me tinha sido dado aperceber-me do sectarismo que existe nesta tão bonita vila de Castelo de Vide… sectarismo este que leva à exclusão de munícipes. Realmente, já me tinha sentido excluída em vários momentos e por várias razões. No entanto, não tinha e, de certo modo, não tenho a noção do separatismo que se vive.
Mas como quem muito anda muito apanha, aconteceu que ao escrever e publicar um livro, através do qual tento passar uma mensagem de união contra a exclusão, não me apercebo que a união não existe mas sim a exclusão. Muito me entristece tal descoberta, pois existe no meu íntimo o intuito de que as pessoas se unam para se vencerem os difíceis momentos que se vivem e os prognósticos dos que se avizinham.
Certamente o apelo que faço parecerá uma «graça» sem sentido. Não importa, vou fazê-lo na mesma, talvez fruto da ingenuidade que me caracteriza. Cá vai:
«Não seria bom que o povo castelo-vidense se unisse sem ter em conta cores ou credos e aproveitasse os valores que temos capazes de fazer algo por uma terra pobre como a nossa?»
Vivemos num país pobre, numa região pobre e de poucos recursos, ponhamos pois a prossecução do interesse público acima de tudo e não percam tempo com questões que tão pouco nos dignificam. 
A propósito de «exclusão», tomada à vara larga, aqui vai um exemplo, um programa antigo de 1952 (imagem publicada junto).
Engraçado… gado do meu avô; e também, tem muita piada (certamente, ironia do destino), a favor da Santa Casa da Misericórdia onde eu, Maria Ana Manso Salgueiro não fui aceite como irmã da Santa Casa em 2005 e por aí fora, até tomar posse uma nova direcção à frente da Instituição.

Maria Ana Manso Salgueiro

29 de março de 2011

Efeméride: passam hoje 500 anos
do Foral de D. Manuel I a Póvoa e Meadas


 
Passam hoje dia 29 de Março 500 anos desde a data em que El-Rei D. Manuel I concedeu um novo foral à Vila de Póvoa e Meadas.
Para assinalar a efeméride, o NCV publica hoje aqui um artigo que solicitou ao historiador local, Jorge Rosa, e que será também publicado na edição impressa relativa ao mês de Abril.
500 anos do Foral de Póvoa e Meadas
No dia 29 de Março de 2011 passam precisamente 500 anos desde que D. Manuel outorgou, em Lisboa, um novo foral à vila de Póvoa e Meadas. A concessão deste foral inseriu-se no vasto movimento de reforma dos forais ordenado pelo rei Venturoso. Com tal reforma pretendia o Rei conseguir dois objectivos fundamentais: normalizar, tanto quanto possível, os direitos e deveres de senhorios e foreiros, por forma a assegurar uma melhor e mais eficaz Administração Pública e corrigir os muitos abusos dos senhorios que, ao longo dos anos foram adulterando as normas porque se regiam os seus domínios e de que o Povo, através dos seus representantes às Cortes, insistentemente se queixava.
O resultado desse gigantesco trabalho foi compilado no Livro de Leitura Nova de D. Manuel, assim chamado porque foi escrito num novo tipo de letra de mais fácil leitura e que evitava interpretações abusivas do articulado dos forais. Nessa compilação não estão os originais completos dos documentos mas, tão só, um enunciado ou sumário dos capítulos alterados ou acrescentados sobre o primitivo articulado.
Do primeiro foral da vila da Póvoa nada sabemos, mas, pela leitura deste novo foral, ressalta evidente que terá existido um anterior e que, entre outras disposições, estabelecia regras para os chãos e hortas particulares, para as casas dos moradores da vila, para o uso dos fornos e para o regime de exploração do Mato da Póvoa.
Embora o novo foral se refira à vila de Póvoa e Meadas não deixa de assinalar que havia um estatuto diferente entre a Póvoa e as Meadas, continuando estas, a serem consideradas reguengo da Coroa. E é, talvez, por causa deste pormenor diferenciador que sabemos bem mais sobre os primeiros forais das Meadas do que sabemos da Póvoa. Vale, pois, a pena, recapitular o que chegou até nós desses primitivos forais.                 
O primeiro foral de que há memória foi concedido por volta de 1243/5 pelo Infante D. Fernando, quarto filho do Rei D. Afonso II, que ficou conhecido pelo cognome de Infante de Serpa na sua qualidade de Governador da Beira, cuja jurisdição se estenderia até esta região do actual Alto Alentejo. A referência a este foral surge no contexto de um conflito, arbitrado por D. Afonso V em Setembro de 1466, que opôs Pedro de Moura, donatário das vilas da Póvoa e das Meadas, ao Concelho de Castelo de Vide sobre o direito dos lavradores desta vila poderem agricultar nas terras das Meadas. No decurso da apresentação de argumentos de parte a parte, o Concelho de Castelo de Vide juntou ao processo uma cópia do foral dado aos moradores das Meadas pelo «Infante Dom Fernamdo filho delRei Dom Afomsso, que foy destes Regnnos».
A sentença de D. Afonso V informa-nos que o donatário receberia: «de todo o pam, vinho, linho cebollas alhos que hy colhessem ... de ssete huum em paz e em ssalvo em cada huum anno». Daqui podemos concluir que naquela época haveria na Meada um conjunto de casais com capacidade para manter uma actividade agrícola que incluía o cultivo de cereais, vinha e algumas hortas. O foral inseria-se na política de povoamento desta região fronteiriça. Apesar dos vestígios arqueológicos da zona: o famoso Menir da Meada, a represa romana da Tapada Grande, as lagariças e sepulturas escavadas na rocha e os safurdões revelarem uma ocupação humana, praticamente contínua, desde o neolítico até à Idade Média, a verdade é que as sucessivas guerras e, em particular a Reconquista, terão despovoado muitas regiões.
Se tivermos em conta os forais dados às localidades desta região do actual Nordeste Alentejano, somo levados a concluir que o foral da Meada é dos primeiros a ser outorgados e se excluirmos as iniciativas associadas às Ordens Militares, será mesmo o segundo foral conhecido nesta zona. A lista de forais das terras vizinhas é a seguinte: 1126 Marvão (D. Sancho II), 1229 - 1232 Nisa (Mestre dos Templários Frei Estêvão de Belmonte), 1232 Crato (Prior do Hospital D. Mem Gonçalves), 1243 – 1245 Meadas (Infante D. Fernando), 1255 Arronches (D. Afonso III), 1256 Amieira (Prior do Hospital D. Gonçalo Viegas), 1310 (D. Diniz) e anterior a 1342 Montalvão (Mestre da Ordem do Templo).
O segundo foral das Meadas foi concedido em 23 de Julho de 1310 (1348 da era de César), pelo Infante D. Afonso, segundo filho de D. Afonso III e irmão do Rei D. Diniz. E sabemos por César Videira, autor da monografia Memória Historica da muito notavel villa de Castello de Vide que se encontra no tombo da Câmara Municipal de Castelo de Vide.
O Infante D. Afonso pretendia aumentar o povoamento do seu herdamento das Meadas e, por isso, dava aos seus moradores e aos que lá se viessem a fixar aquelas terras, com todas as pertenças e melhorias, mediante o pagamento da sétima parte de pão (trigo), vinho, linho, dos moinhos (farinha) e pisões (panos), alhos e cebolas. A forma de entrega de cada um destes géneros era também determinada do seguinte modo: o trigo era entregue na eira já debulhado e limpo, o vinho era recolhido já armazenado numa dorna (recepiente feito de ripas de madeira), o linho só era entregue depois de seco no tendal e os alhos e cebolas deviam ser enrestados, isto é, agrupados e unidos em réstias. Para além destes pagamentos estavam também obrigados a dar ao Senhorio uma certa porção porção de trigo e capões (galos) que eram recolhidos pelos seus criados nas casas de cada morador pelo S. Miguel (Setembro). Era permitido aos foreiros vender as suas terras nas condições estipuladas no foral desde que o não fizessem a clérigo, cavaleiro ou qualquer outro homem  filho de algo (fidalgo), ordem eclesiástica, judeu ou mouro. Esta última disposição é bem reveladora do propósito povoador do Infante e, ao mesmo tempo, defensivo da integridade do seu domínio. E também deixa perceber que a política de tolerância para com as minorias judaica e muçulmana tinha limites de forma a assegurar o seu controlo.
Durante mais de 159 anos a vila da Meadas e os seus moradores foram, com mais ou menos conflitos com os sucessivos senhorios das terras, gerindo autónomamente as suas vidas. Mas, em 16 de Setembro de 1466 a pacatez da sua existência, começou a mudar. Nessa data D. Afonso V, faz doação da jurisdição cível e crime da vila das Meadas e seu termo a Pedro de Moura, tal como consta na “Chancelaria de D. Afonso V”: «...teemos por bem e damoslhe que elle tenha dagoremdiante de nos em sua vida a jurdiçom çiuell e crime da villa das meadas e seu termo de que ho temos pella guisa que a nos tinhamos reservando para nos a correiçom e allçada »
Pedro de Moura iniciou, logo que tomou posse das Meadas e também da Póvoa, uma série de iniciativas com vista a reduzir os custos com a administração das duas vilas. Socorrendo-se de subterfúgios e falsas informações acerca da população das Meadas e do seu real rendimento logrou convencer o Rei D. Afonso V a conferir-lhe a jurisdição das vilas de acordo com os seus interesses. Em 1469 alegando a escassez de moradores nas Meadas, faz um pedido ao rei para juntar a jurisdição das Meadas à da Póvoa, já que, como argumentava, aquela vila, ao contrário desta, se encontrava despovoada, apenas lá residindo temporariamente um mordomo que lhe tratava da lavoura. O rei, tendo em conta a argumentação de Pedro de Moura, que invocara também os custos de manter Juízes de Fora para as duas vilas, concede a que a jurisdição das Meadas passe a depender da Póvoa, passando os juízes, alcaides, vereadores e almoçaté a exercerem nas duas vilas.
Estava assim dado o primeiro e decisivo passo para juntar as vilas da Póvoa e das Meadas, junção essa, que viria a ser oficialmente confirmada no Foral de D. Manuel de 1511 onde se diz: «... este foral dado à nossa villa de Póvoa e Meadas ... ». Podemos, então, considerar que se deve a Pedro de Moura a fusão das duas vilas da qual resultaria a actual designação da nossa terra.
E assim chegámos ao foral de D. Manuel que agora comemoramos.
O foral de Póvoa e Meadas vigorou até 13 de Agosto de 1832. Nesse data foi publicada a chamada ‘Lei dos forais’ da autoria do ilustre estadista castelovidense Mouzinho da Silveira que aboliu todos os forais outorgados por reis ou donatários. Na prática, porém, continuaram a pagar-se foros na Póvoa até ao início do século XX, só sendo definitivamente extinto com a venda dos bens do Conde de Linhares seu último donatário.                                                                                                                          
Jorge Rosa  
        

23 de julho de 2010

OPINIÃO:
Nos setecentos anos do foral das Meadas

Em 23 de Julho de 1310 (1348 da era de César), há precisamente 700 anos, o Infante D. Afonso, segundo filho de D. Afonso III e irmão do Rei D. Diniz, outorgava aos habitantes da Vila da Meadas o seu segundo foral. Antes, por volta de 1243/5, um outro Infante, quarto filho do Rei D. Afonso II, Fernando de seu nome mas conhecido por Infante de Serpa, outorgou-lhes o primeiro foral.
O Infante D. Afonso pretendia aumentar o povoamento do seu herdamento das Meadas e, por isso, dava aos seus moradores e aos que lá se viessem a fixar aquelas terras, com todas as pertenças e melhorias, mediante o pagamento da sétima parte de pão (trigo), vinho, linho, dos moinhos (farinha) e pisões (panos), alhos e cebolas. A forma de entrega de cada um destes géneros era também determinada do seguinte modo: o trigo era entregue na eira já debulhado e limpo, o vinho era recolhido já armazenado numa dorna (recipiente feito de ripas de madeira), o linho só era entregue depois de seco no tendal e os alhos e cebolas deviam ser enrestados, isto é, agrupados e unidos em réstias. Para além destes pagamentos estavam também obrigados a dar ao Senhorio uma certa porção de trigo e capões (galos) que eram recolhidos pelos seus criados nas casas de cada morador pelo S. Miguel (Setembro). Era permitido aos foreiros vender as suas terras nas condições estipuladas no foral desde que o não fizessem a clérigo, cavaleiro ou qualquer outro homem filho de algo (fidalgo), ordem eclesiástica, judeu ou mouro. Esta última disposição é bem reveladora do propósito povoador do Infante e, ao mesmo tempo, defensiva da integridade do seu domínio. E também deixa perceber que a política de tolerância para com as minorias judaica e muçulmana tinha limites de forma a assegurar o seu controlo.

Durante mais de 159 anos a Vila da Meadas e os seus moradores foram, com mais ou menos conflitos com os sucessivos senhorios das terras, gerindo autonomamente as suas vidas. Mas, em 16 de Setembro de 1466 a« ...teemos por bem e damoslhe que elle tenha dagoremdiante de nos em sua vida a jurdiçom çiuell e crime da villa das meadas e seu termo de que ho temos pella guisa que a nos tinhamos reservando para nos a correiçom e allçada »
pacatez da sua existência, começou a mudar. Nessa data D. Afonso V, faz doação da jurisdição cível e crime da vila das Meadas e seu termo a Pedro de Moura, tal como consta na “Chancelaria de D. Afonso V”.
Pedro de Moura iniciou, logo que tomou posse das Meadas e também da Póvoa, uma série de iniciativas com vista a reduzir os custos com a administração das duas vilas. Socorrendo-se de subterfúgios e falsas informações acerca da população das Meadas e do seu real rendimento logrou convencer o Rei D. Afonso V a conferir-lhe a jurisdição das vilas de acordo com os seus interesses. Em 1469 alegando a escassez de moradores nas Meadas, faz um pedido ao rei para juntar a jurisdição das Meadas à da Póvoa, já que, como argumentava, aquela vila, ao contrário desta, se encontrava despovoada, apenas lá residindo temporariamente um mordomo que lhe tratava da lavoura. O rei, tendo em conta a argumentação de Pedro de Moura, que invocara também os custos de manter Juízes de Fora para as duas vilas, concede a que a jurisdição das Meadas passe a depender da Póvoa, passando os juízes, alcaides, vereadores e almoçaté a exercerem nas duas vilas.
Estava assim dado o primeiro e decisivo passo para juntar as vilas da Póvoa e das Meadas, junção essa que viria a ser, oficialmente, confirmada no Foral de D. Manuel de 1511 onde se diz: « ... este foral dado à nossa villa de Póvoa e Meadas ... ». Podemos, então, considerar que se deve a Pedro de Moura a fusão das duas vilas da qual resultaria a actual designação da nossa terra.

Setecentos anos depois será que é a vez da Póvoa desaparecer como vila, ficando apenas um nome como sucedeu com as Meadas?

De facto, tal como nas Meadas, temos vindo a assistir a um progressivo encerramento de serviços essenciais à vida de uma qualquer comunidade. Primeiro foi o médico residente, depois fechou o posto dos Correios, destino igual teve o da GNR. Até o padre residente se ausentou durante largos anos. Agora é a escola que está ameaçada, logo mais será a própria Freguesia.

Se é verdade que é aos poderes políticos que cabe, em primeira mão, promover políticas que defendam o interior do País da desertificação, coisa que cada vez menos fazem, quando não enveredam pelo rumo contrário como recentemente se tem visto, não é menos verdade que as populações e os seus orgão autárquicos também têm um papel fundamental, decisivo mesmo, na sobrevivência das suas terras.

Sabemos que a sobrevivência da nossa Terra não passa já pela agricultura. A Reforma Agrária que, mesmo com todos os erros, poderia ter servido para a reavivar já chegou tarde e a entrada na CEE acabou com todas as possíveis ilusões a este respeito. A indústria também não se afigura como um meio de desenvolvimento desta região, especialmente nos tempos que correm. Resta assim o turismo e um conjunto de actividades relacionadas como o artesanato ou a gastronomia.

O turismo, no entanto, não subsiste se não conseguir atrair pessoas para mais do que um passeio de fim-de-semana. O concelho de Castelo de Vide tem excelentes potencialidades para esta actividade, algumas bem aproveitadas, mas não pode desperdiçar nenhuma possibilidade. O grande desafio para toda a região, capaz de se constituir um motor da procura turística, é a criação de uma praia fluvial de qualidade, não um “resort” inacessível, na Barragem da Póvoa. Ancorada numa estrutura atractiva deste tipo, toda a actividade turística da região sairá a ganhar.

Recentemente tive oportunidade de referir a possibilidade de criação de uma empresa municipal de turismo, volto a defender esta ideia que considero ser um objectivo estratégico regional que vai muito para além das forças políticas e mesmo dos órgãos de poder autárquico.

Deixar morrer a Póvoa é também um passo para a morte de todo o Concelho.

Jorge Rosa

13 de outubro de 2008

Cristovam Pavia morreu faz hoje 40 anos

Cristovam Pavia, pseudónimo literário de Francisco António Flores Bugalho morreu faz hoje 40 anos, em Lisboa. Tinha acabado de completar35 anos de idade pois nascera em Lisboa a 7 de Outubro de 1933.
Francisco António Flores Bugalho viria a revelar a seu valor intelectual no campo das letras, como poeta, assinando com o pseudónimo "Cristovam Pavia".
Tímido e introvertido por natureza, mas dotado desde novo de notável apetência para as coisas do espírito, era filho do Dr. Francisco José Lahmeyer Bugalho e de Guilhermina Mimoso Flores Bugalho, neto paterno de Francisco José Bugalho e de Sofia Lahmeyer Bugalho, e materno do Professor Doutor António Pereira Flores e de Cecília Baptista Mimoso Flores.
Recebeu o sacramento do baptismo na Igreja da Senhora da Luz, junto à quinta dos seus avós maternos, em Castelo de Vide, a 2 de Janeiro seguinte, ministrado pelo Padre Severino Dinis Porto, sendo seus padrinhos o avô materno e Maria Vicência Bugalho Mouta.
Licenciou-se em filologia Germânica na Faculdade de Letras de Lisboa, em 1955.
Cristovam Pavia publicou "Trinta e Cinco Poemas", o único livro de poemas em sua vida. Postumamente, por iniciativa da família e de amigos, foi publicado o volume "Poesia". © DSCordeiro/NCV
(Na foto: Cristovam Pavia à direita, acompanhado de Sebastião da Gama, à esquerda, e de José Régio, ao centro)
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REQUIEM
(ao menino morto, eu próprio)

A tarde declina com uma luz ténue.
Estou grave e calmo.
E não preciso de ninguém
Nem a luz da tarde me comove: entendo-a.
Até as imagens me são inúteis porque contemplo tudo.

Os ventos rodam, rodam, gemem e cantam
E voltam. São os mesmos.
Como os conheço desde a infância!
E a terra húmida das tapadas da quinta...
O estrume da égua morta quando eu tinha seis anos
Gira transparente nesta brisa fria...
(Na noite gotas de orvalho sumiam-se sob as folhas das ervas)
Oh, não há solidão, nas neblinas de inverno
Pela erma planí­cie...

E foi engano julgar-te morto e tão só nas tapadas em silêncio...

Agora sei que vives mais
Porque começo a sentir a tua presença, grande como o silêncio...
Já me não vem a vaga tristeza do teu chamamento longí­nquo
Já me confundo contigo.

Cristovam Pavia

28 de agosto de 2007

Para quando a Casa Museu Ventura Porfírio?

No dia 26 de Agosto de 1908 nasceu em Castelo de Vide o Pintor António Ventura Porfírio. Se fosse vivo teria completado, portanto, 99 anos de idade.
Acerca das qualidades do conceituado artista castelovidense já muito foi dito. Apenas queremos recordar a data e o Homem, assim como sublinhar que em 2008 se completará o primeiro centenário do nascimento deste destacado castelovidense e português.
A 12 de Agosto último, aquando do centenário do nascimento de Miguel Torga, foi inaugurada em Coimbra a Casa Museu deste Escritor que se imortalizou pela sua escrita. Perdoem-me mas criar-se uma Casa Museu justifica-se muito mais no caso do Pintor António Ventura Porfírio, cuja família tem em seu poder um vasto e valioso espólio cultural e artístico.
Mais do que ninguém o Dr. José Luís Porfirio saberá da viabilidade destas palavras que aqui deixamos, bem como dar os passos necessários para o avanço da ideia.
Não sei por quê mas sempre que ia a casa do Sr. Porfírio tinha a sensação de que aquele espaço fora pensado para um Museu ou centro artístico ou outra designação que lhe queiramos dar...
Claro que o assunto deve ser tratado "com pinças" e ser sempre respeitada a vontade da Família do Pintor António Ventura Porfírio.
Talvez o Ministério da Cultura possa ser parceiro na ideia. Até por que o Governo investiu forte, e muito bem, na Casa Museu Miguel Torga. Logo tem obrigação de o fazer aqui igualmente. E talvez o Grupo de Amigos de Castelo de Vide também possa contribuir para o amadurecimento da ideia.
E por que não um Espaço Museu Adolfo Bugalho?
E já agora aproveitamos para avançar com outro repto: Por que não pensar-se também seriamente na criação de um Espaço Museu Adolfo Bugalho em Castelo de Vide? © José Rui Rabaça/NCV