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6 de abril de 2007

Câmara Municipal quer “reconciliar” os castelo-videnses “com a sua paróquia” depois das declarações do pároco no referendo sobre o aborto

O facto de o Padre Vítor Melícias estar presente na Vigília Pascal, na chocalhada (Sábado à noite) e de celebrar a homilia de Domingo de Páscoa é considerado pela Câmara Municipal de Castelo de Vide “sem dúvida alguma, um invulgar contributo que reconciliará os castelo-videnses com a sua paróquia, depois das recentes declarações do pároco aquando do referendo sobre o aborto”, de acordo com os precisos termos de um comunicado sobre a quadra pascal emitido ao princípio da tarde de Quinta-Feira Santa.
O mesmo comunicado refere que “as Celebrações Pascais de Castelo de Vide são anualmente o momento mais marcante da vida cultural e religiosa desta vila alentejana”, com milhares de fiéis e turistas a deslocarem-se à Vila “para conhecer e participar nas tradições locais”.
“Este ano releva-se, uma vez mais, a presença do Padre Vítor Melícias, que acompanhará os momentos mais importantes destas celebrações e presidirá à Eucaristia de Domingo de Páscoa” – insiste a nota municipal, que adianta ainda que “vive-se a insigne Semana Santa na vila alentejana, num ambiente de tradição, culto e forte simbolismo, onde a tolerância pelas raízes judaicas lhe confere originalidade e misticismo”.

Um Acontecimento e um Testemunho
“A Semana Santa em Castelo de Vide é, por excelência, um Acontecimento. Um Acontecimento e um Testemunho. Um Testemunho extraordinariamente revelador desses símbolos que se desvendam e estão presentes nestes dias de culto e de espiritualidade”, adianta por seu lado uma mensagem aos castelovidenses com que abre o programa da Páscoa de 2007, e que surge assinada pelo Presidente da Câmara Municipal.

Para António Ribeiro, “a Páscoa é o momento que determina a grande dimensão universal do acolhimento da religião, sobretudo a cristã, onde se valorizam símbolos do sagrado e do absoluto que conduzem a um espírito de paz, solidariedade, redenção e tolerância”. © NCV

18 de fevereiro de 2007

BOLETIM PAROQUIAL: “Pelo resultado do referendo, (…) em Castelo de Vide os católicos são pouco mais de 325"...

“Pelo resultado do referendo, ficamos a saber que, em Castelo de Vide, os católicos são pouco mais de 325” – sublinha na sua segunda parte o editorial do Boletim Paroquial de 18 de Fevereiro.
“Os restantes embora baptizados, não podem considerar-se católicos, porque não acatam o regime da Igreja Católica; não estão em comunhão plena com a Igreja. Assim tais pessoas não têm o direito de se intitularem “católicas” – continua o texto cujo tom e conteúdo surpreendeu a comunidade católica local, depois do anterior apelo à “aceitação” e ao “respeito” democráticos pelos resultados do referendo.
Sacerdotes podem deixar de “enfeitar” (sic) casamentos e funerais
Intitulado “Entre o SIM e o Não”, o texto vai mais longe e refere em tom de ameaça que “isto pode trazer consequências sérias”. E explica: “quanto à pastoral, Castelo de Vide pode vir a ficar dependente de outras comunidades cristãs mais dinâmicas” e “os sacerdotes poderão deixar de enfeitar casamentos e funerais de quem não está em comunhão com a mesma Igreja”.
As contas “paroquiais”
A nova estimativa da população católica inserida no Boletim Paroquial assenta na seguinte estrutura de cálculo: “Em Castelo de Vide votaram “Não”: na freguesia de São João 70; na de Santa Maria 105; na de Santiago 21. Descontando 10% para os que não puderam votar, Castelo de Vide terá apenas uns 325 católicos maiores de 18 anos”. “Para ser católico não basta estar baptizado, é preciso viver em comunhão plena com a Igreja Católica” – insiste o texto em apreço.
“Pediram a pena de morte…”
A primeira parte do editorial do Boletim Paroquial de 18 de Fevereiro desfere um novo ataque violento aos votantes no Sim.
Começa por referir os dados da votação em Castelo de Vide, nas 3 freguesias da sede de concelho que integram a Paróquia já que a de Póvoa e Meadas corresponde desde há poucos anos à restaurada Paróquia local. “Em Castelo de Vide votaram no referendo sobre o aborto 1121 pessoas. Destas 802 votaram Sim, 296 votaram Não e houve ainda 23 votos em branco e nulos”.
Ora, segundo o Boletim Paroquial, “se estas 802 pessoas são católicas vão tornar-se cúmplices na execução de todos os abortos permitidos pela lei civil que venha a ser aprovada. Pediram a pena de morte para os seres humanos mais desprotegidos”.
“A Igreja Católica condena o aborto, seja ele legal, ilegal ou clandestino, antes ou depois das dez semanas. O aborto é um pecado grave e um crime com censura canónica” – explica o mesmo texto do Boletim Paroquial, que adianta que “o regime da Igreja Católica não é arbitrário; é para todos os católicos, sob pena de perderem a comunhão plena com a mesma Igreja, isto é: a identidade “católica”. (can 205). © NCV
NOTA IMPORTANTE: Para poder ler a primeira página do Boletim Paroquial clicar duas vezes de forma sequencial na imagem.