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5 de junho de 2015

Entidade de Turismo entrega à Câmara de Arraiolos
dossier de Candidatura do Fabrico de Tapetes à UNESCO

A Turismo do Alentejo / Ribatejo vai entregar, à Câmara Municipal de Arraiolos, o dossier do pedido de inscrição do fabrico de tapetes de Arraiolos na lista do património cultural imaterial com necessidade de salvaguarda urgente, hoje, dia 5 de Maio, no decorrer da sessão inaugural d’O Tapete está na Rua, um evento que promove a importância histórica, cultural, e económica de um dos bens identitários do concelho e da região.
Concluído o processo de candidatura, o projeto será submetido pelo Estado Português à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) que deverá, posteriormente, avaliar a potencial inscrição desta manifestação na Lista Mundial do Património Cultural Imaterial.
A proposta de inscrição do Fabrico de Tapetes de Arraiolos na Lista do Património com necessidade de salvaguarda urgente e não na lista representativa, prende-se com o facto de, atualmente, não se verificar a transmissão efetiva deste conhecimento, considerada uma das mais relevantes expressões artísticas tradicionais portuguesas.
Refira-se que o Tapete de Arraiolos - uma obra que resulta da popularização de esquematizações e temas ornamentais dos tapetes turcos e persas, bordados sobre pano com recurso a um ponto antigo, a trança eslava - é um dos bens do território que - à semelhança do Cante Alentejano, das Fortificações de Elvas e do Centro Histórico de Évora - a Entidade Regional de Turismo quer ver classificado pela UNESCO.
Neste momento, aguarda-se a atribuição do título de Património da Humanidade à Arte Chocalheira, e estão em desenvolvimento os dossiers de candidatura do Montado, das Festas do Povo de Campo Maior e da Cultura Avieira. © NCV

26 de novembro de 2011

“Mãos que cozem o Tempo”
a partir de hoje na Pousada de Arraiolos


Mãos que cozem o Tempo” é o nome da exposição que a Fábrica de Tapetes Hortense inaugura hoje, sábado dia 26 de Novembro, pelas 11:30 horas, na Pousada Nossa Senhora da Assunção, em Arraiolos.
A mostra - que resulta de um desafio lançado pela direcção das Pousadas de Portugal à artesã Maria Hortense, proprietária da unidade fabril - integra ainda a apresentação de uma linha de calçado e acessórios de moda com o bordado de Arraiolos, para além de tapetes e quadro com desenhos inovadores.
O objectivo primordial desta exposição é revelar a associação do clássico ponto de Arraiolos à modernidade e ao design. Pois apesar de se tratar de um bordado tradicional a sua beleza e capacidade de adaptação permitem criar peças únicas e inovadoras”, explica Hortense Canelas.
Através desta mostra espero ainda conseguir sensibilizar o público em geral e os responsáveis para a importância da certificação de uma arte que, para além ser uma das imagens de marca do concelho e da região, começou com os tapetes mas tem potencial para se tornar transversal a vários produtos, nomeadamente do sector da moda”, adianta a mesma responsável.
A Fábrica de Tapetes Hortense conta já com 26 anos de existência e tem sido responsável por várias exposições em várias cidades nacionais e internacionais, como por exemplo em Albany, Houston, Dallas e Toronto. © NCV

15 de fevereiro de 2008

Fundação Alentejo Terra-Mãe expõe
“O Renascimento do Tapete de Arraiolos”

Entre 28 de Fevereiro e 20 de Março o Salão de Exposições da Fundação Alentejo-Terra Mãe, em Évora, vai receber a exposição “O Renascimento do Tapete de Arraiolos”, promovida por Alfredo Barbeiro.
Recuperando as tradições da manufactura de bordados de Arraiolos, com mais de 400 anos, constituíram-se na década de dez do século passado, as bases do renascimento do actual Tapete de Arraiolos.
Este sublime trabalho feito por Jacinta Leal Rosado e reconhecido em 1930, pelo então Presidente da República através do Grau de Comendador da Ordem de Mérito Agrícola e Industrial, será agora lembrado em parte, através desta exposição.

A Exposição contará com a apresentação de uma dúzia de peças de tapeçaria de Arraiolos do princípio do século XX.

A inauguração da exposição será no dia 28 de Fevereiro pelas 17.30 horas, e poderá ser visitada das 3ª feiras aos Sábados entre as 10 e as 13horas e das15 às18 horas; aos Domingos o horário é das 10 às 13 horas.

Breve História do Tapete de Arraiolos

Contrariamente aos tapetes orientais e aos espanhóis, manufacturados pelo processo de nozinhos feitos com lã fina presos em volta dos fios longitudinais do tear, os tapetes de Arraiolos utilizam a técnica do bordado a fios contados.

Característica clássica de todos os tipos de tapete de Arraiolos é a divisão do mesmo em 4 partes. O desenho divide-se pelo centro, campo, barra e circundado por uma franja.
Durante a sua evolução histórica o tapete de Arraiolos conhece, pelo menos, três fases ou épocas quanto aos elementos decorativos usados. Durante o século XVI surgem os primeiros tapetes bordados que se conhecem. Os motivos usados são claramente baseados nos tapetes orientais e o vermelho é a côr dominante. No século XVII surge a segunda época, em que se começaram a misturar os motivos orientais com uma variedade de animais estilizados como aves de capoeira, animais de estimação, veados, etc. Alguns dos exemplares mostram claramente influências dos tapetes do levante espanhol, franceses (flor de lis) e alemães (águia bicéfala), sendo que os motivos de inspiração oriental foram desaparecendo.
Já no século XVIII, considerada a terceira época, o mundo de ornatos que animaram as reproduções anteriores dão lugar aos ramos de flores, em geral sobre fundos claros ou azuis. No século XIX não houve praticamente qualquer produção de tapetes em Arraiolos digna de nome.

Por estranho que pareça, não há qualquer investigação sobre os corantes usados para tingir as lãs dos tapetes antigos. Sabe-se recentemente que já no período da ocupação moura se tingia lã em grande escala em Arraiolos, como o provam a recente redescoberta de 95 talhas encravadas na rocha que se encontram na praça central da vila.
Sabe-se que o azul se obtém a partir do índigo de que a Índia foi o grande produtor, principalmente a partir da espécie vegetal Indigofera tinctoria. Já o vermelho pode ter várias origens desde um insecto (Cochinilha), passando por uma raiz (Erva ruiva) ou uma árvore (Pau Brasil). Provavelmente todas estas origens foram usadas para colorir os tapetes de Arraiolos antigos.
© NCV