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30 de outubro de 2022

Anfiteatro da cidade romana de Ammaia em Marvão

Foto © FCAmmaia/NCV
Prosseguiram as escavações no anfiteatro da cidade romana de Ammaia, Marvão, um edifício singular pela sua implantação: instalado na pedreira que forneceu a matéria-prima para a sua construção, na banda poente, apoiado na cerca urbana, pelo lado sul, com a cavea implantada sobre aterro, no lado nascente e norte, uma opção arquitectónica insólita. Esta opção colocou evidentes problemas, que resultaram num deficiente desenho da elipse da arena justamente na zona poente, onde o edificado se implanta nas frentes das pedreiras e limitou também seriamente o desenho das caveae, implicando evidentes descontinuidades ainda difíceis de descortinar.
Construído em alvenaria de pedra seca, sem recurso a argamassas elaboradas, o edifício necessitou de frequentes remodelações ao longo do tempo, identificáveis nas distintas opções construtivas (secção de materiais, assentamento dos mesmos, etc.), mas muito difíceis de datar, para lá da observável relação de anterioridade / posterioridade. Os rebocos que revestiam a parede perimetral da arena estão conservados sobretudo sob a forma de derrube, com as argamassas amalgamadas na base da estrutura. O piso da arena instalado sobre o substrato rochoso era constituído por fina camada de saibro, resultante da desagregação da rocha local.
Os elementos que permitem datar a sua construção são escassos e concentram-se em unidades estratigráficas subjacentes ao edificado, possibilitando assim uma datação post quem, com todas as limitações que estas datações envolvem. A robusta presença de fragmentos de terra sigillata de tipo itálico, com alguns fragmentos de sudgálica,mas ausência total de hispânica; ânfora Haltern 70, com fabrico do Guadalquivir, e um bocal de ânfora Peniche 3, vinda provavelmente das olarias do Morraçal da Ajuda, sugerem fortemente uma construção ainda nos finais da dinastia Júlio-Cláudia, ainda que se não deva excluir a possibilidade de uma cronologia flávia inicial. Assim, uma datação dos meados do século I afigura-se fortemente provável.
O processo de amortização do edifício é bem visível, sobretudo pelo fechamento dos vãos de todos os compartimentos que comunicavam com a arena. Mas, uma vez mais, não é fácil datar esse momento. A presença de algumas moedas da segunda metade do século IV encontradas sobre o piso da arena sugerem que o abandono final terá decorrido em um qualquer momento a partir dessa cronologia. Curiosamente, a memória do antigo edifício lúdico cristalizou na toponímia local: picadeiro é o microtopónimo do local, embora não haja ideia ou memória de alguma vez tal finalidade ser dada àquele espaço.
A escavação e estudo do anfiteatro da Ammaia é um Projecto da Fundação Cidade de Ammaia e Fundación de Estudios Romanos, com a participação científica do Museo Nacional de Arte Romano, de Mérida, e do Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa (Uniarq), financiado pela Fundação “La Caixa”, no âmbito do Programa Promove Regiões Fronteiriças 2019.
Carlos Fabião, 
in UNIARQ DIGITAL n.º 68 (AQUI) 

15 de julho de 2021

Prosseguem os trabalhos arqueológicos no anfiteatro da cidade romana de Ammaia (Marvão)

Fotos © Ammaia/NCV
Está a decorrer uma nova fase dos trabalhos arqueológicos no anfiteatro da cidade romana de Ammaia, Marvão, um monumento que foi identificado em 2019, no âmbito do projeto que visa o estudo dos edifícios lúdicos desta cidade romana.
O projeto em curso, que decorre ao longo dos próximos anos, envolve a escavação e estudo do anfiteatro e a sua conservação e valorização.
O anfiteatro, o quinto destes edifícios conhecidos em cidades da antiga Lusitânia, apresenta medianas dimensões, de 53,5 metros no seu eixo maior, e cerca de 40 no menor, com infraestrutura pétrea e bancadas de madeira, à semelhança dos já conhecidos anfiteatros de Bobadela (Oliveira do Hospital) e de Cáparra (Oliva de Plasencia).
Campanha financiada pela Fundação “La Caixa”
Presentemente, decorre uma campanha de escavação e de diagnóstico das ações de conservação a realizar, financiada pela Fundação “La Caixa”, promovida por um consórcio que envolve a Fundação Cidade de Ammaia, a Fundación de Estudios Romanos, o Museo Nacional de Arte Romano e o Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa (Uniarq).
Os principais objetivos delineados incluem a continuação da identificação do perímetro do edifício e escavação e estudo dos compartimentos associados à arena (carceres), os locais onde se guardavam os animais, para as venationes, lutas de humanos contra animais, ou onde os gladiadores se preparavam para entrar em acção nos combates singulares que realizavam. © NCV