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4 de maio de 2012

Barragem do Pisão tem futuro



Dando continuidade ao ciclo de debates “Alto Alentejo tem futuro”, o nosso jornal viajou de Alter, onde debatemos a Coudelaria, para o concelho vizinho, o Crato, que acolhe um dos mais antigos e emblemáticos anseios da região, a Barragem do Pisão, um empreendimento cuja importância é unânime e que já encheu centenas de páginas de jornais, estudos e programas eleitorais. Foi em 1957, ano da elaboração do Plano de Valorização do Alentejo que surgiram os primeiros estudos e, consequentemente, as primeiras reivindicações face a um projecto que teria um impacto bastante significativo na região, não só em termos de armazenamento e distribuição de água, mas também nos planos agrícola, ambiental, económico e social.
Desenvolvidos entre as décadas de 60 e 80, os estudos conduziram a diversas reformulações do projecto que incidiram quer na substituição do sistema de rega por gravidade pela aspersão, quer na delimitação das manchas de solos a beneficiar.
Em 1980, a Direcção-Geral dos Recursos e Aproveitamentos Hidráulicos propos um esquema alternativo que procurava ultrapassar os condicionalismos apontados ao projecto, tendo sido seleccionados 6 372 ha localizados na margem esquerda da ribeira da Seda.
Foi este o cenário de base para a elaboração do Estudo de Viabilidade Ambiental e Económica de 2001, um trabalho em que foi analisada uma dezena de alternativas em que variava a área a beneficiar, a localização da barragem, bem como o tipo de adução e distribuição.
O estudo concluiu que a alternativa mais viável era a que previa a localização da barragem em Couto de Endreiros, uma solução que avançou para Projecto de Execução já em 2006. No entanto, os impactos positivos da valia agrícola associados a uma área equipada de cerca de 3 240 ha não foram considerados suficientes para, de per si,  justificar os custos de investimento e de exploração, assim como a submersão da aldeia do Pisão com a construção da barragem.
O último estudo, solicitado à COBA pela Câmara Municipal do Crato, teve como principal objectivo a redefinição do projecto de modo a potenciar os seus impactos positivos, aumentando a área beneficiada e procurando soluções de projecto que permitam diminuir os custos de investimento, de operação e manutenção. Para além disso integrou ainda a avaliação objectiva da necessidade da barragem do Crato para suprir os consumos de abastecimento público previstos ao nível do sub-sistema 3 do Alto Alentejo e a viabilidade da mini-hídrica do Crato.
A Barragem do Pisão já foi tudo. Começou como um objectivo, rapidamente passou a utopia, a sonho, a bandeira política e foi no sábado, mais uma vez, motivo de discussão. No debate organizado pelos jornais “Alto Alentejo” e “A Mensagem”, com o apoio da Câmara do Crato, ficou mais uma vez provado que o empreendimento é fundamental para a região, desejado pela grande maioria dos autarcas, agricultores e pela população em geral e que, provavelmente, só não está ainda a distribuir água no distrito de Portalegre porque, ao longo de 55 anos, faltou essencialmente peso político para reivindicar junto dos Governos que sucessivamente nos esqueceram aquilo que era, sem dúvida, um bem precioso para a nossa região.
Depois um leque riquíssimo de intervenções técnicas, onde se destacaram os engenheiros da COBA (Maria João Calejo, António Capelo e José Luís Teixeira), Hemetério Monteiro, ex-administrador da Empresa de Desenvolvimento e Infra-Estruturas do Alqueva (EDIA), Sá da Costa, presidente da Associação Portuguesa de Energias Renováveis, João Paulo Mendes, da Escola Superior Agrária de Elvas (IPP), de Aristides Chinita, gestor da Associação de Beneficiários do Caia, de Pinto Leite, ex-director Regional do Ambiente, de Mário Cruz, Direcção Geral dos Serviços Hidráulicos, e ainda de várias intervenções políticas, ficou bem vincado que o projecto da Barragem do Pisão está bem vivo e que o Alto Alentejo pode estar agora mais unido que nunca para lutar em prol daquele que ao longo da sessão foi considerado «o único investimento visível no nosso território».
Quanto ao obstáculos, só mesmo «o desinteresse e descriminação» por parte do Governo face ao Interior e ao distrito de Portalegre e os cerca de 100 milhões de euros necessários para a construção de um empreendimento que iria revolucionar completamente a região e o futuro das suas gentes. Mas se pensarmos que este investimento representa apenas cerca de cinco por cento do que foi injectado no Alqueva e que ainda existe um Quadro Comunitário que pode ser explorado com o argumento que o Alto Alentejo tem sido das regiões mais prejudicadas em termos de investimento, talvez nos seja permitido sonhar e pensar que “a Barragem do Pisão tem futuro”.
 in "Alto Alentejo"


28 de fevereiro de 2012

Ciclo de debates “Alto Alentejo tem futuro”
analisou presente e futuro da Coudelaria de Alter



Dando início a um ciclo de debates promovidos pelo Jornal Alto Alentejo, o Castelo de Alter foi palco de um colóquio subordinado à temática da Coudelaria de Alter, uma instituição milenar e de incomensurável importância para uma região cada vez mais empobrecida e desertificada.
“Alto Alentejo tem futuro” foi a designação escolhida para este ciclo de debates que, desta feita, contou com a colaboração do Município e do Mensageiro de Alter.
Moderado por Manuel Isaac Correia e por Monsenhor Paulo Dias, o debate arrancou com uma dissertação histórica e patrimonial sobre a Coudelaria pelo arqueólogo, investigador e professor da Universidade de Évora, Jorge de Oliveira, que deu conta do riquíssimo património intrínseco a esta instituição, cuja origem remota há oito mil anos.
Seguiu-se uma intervenção inicial de Bernardo Alegria, representante dos fundadores no Conselho de Administração da Fundação Alter Real (FAR), que clarificou a actual situação económica e administrativa da instituição, que continua ser ver constituído o seu Conselho de Administração.
Múltiplos intervenientes
O debate continuou ao longo da tarde com as intervenções de Hemetério Cruz, presidente da Assembleia Municipal de Alter (e ex-presidente de Câmara); Carlos Crespo, empresário parceiro da Coudelaria no âmbito da falcoaria; António Carlos Correia, sindicalista e funcionário da Coudelaria; João Costa Ferreira, ex-director da Coudelaria e ex-presidente do Serviço Nacional Coudélico; Galinha Barreto, ex-Governador Civil do distrito de Portalegre; Paulo Cardoso, coordenador do Bloco de Esquerda; Fernando Carmosino, coordenador da DORPOR do PCP e presidente da Assembleia Municipal do Crato; António José Baptista, delegado distrital do CDS; Jorge Martins, presidente da Federação Distrital do PS, presidente da Câmara do Gavião e ex-presidente da Associação de Municípios; Francisco Roxo, professor da Universidade Católica Portuguesa e gestor de empresas públicas e privadas; José Tirapicos Nunes, em representação do Reitor da Universidade de Évora; Augusto Gouveia, em representação do IPP; Armando Varela, presidente da Câmara de Sousel e da Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo (CIMAA); Pedro Marques, deputado do PS pelo Círculo de Portalegre; Cristóvão Crespo, deputado do PSD pelo Círculo de Portalegre e presidente da Distrital do mesmo partido; Ceia da Silva, presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo; e Joviano Vitorino, presidente do Município de Alter e, por inerência, membro do Conselho de Administração da FAR.
Uma causa que transcende fronteiras…
Ao final das comunicações seguiu-se o debate, que contou com intervenções do presidente da Câmara do Crato, João Teresa Ribeiro, bem como de várias pessoas que fizeram questão de sublinhar a sua preocupação com uma causa que transcende as fronteiras de Alter e do distrito de Portalegre.
Longe de ser unânime, a discussão abordou várias problemáticas inerentes ao passado, presente e futuro da Coudelaria. O modelo de gestão foi bastante debatido, sendo que grande parte dos oradores defendeu um regresso aos moldes anteriores à constituição da FAR que, na opinião da maioria dos intervenientes, só comprometeu o funcionamento da instituição.
Laboratório de Genética Molecular
Apesar de o futuro da Coudelaria não estar em causa ficou no ar o receio da perda de algumas valências, nomeadamente o Laboratório de Genética Molecular, uma das pérolas da instituição.
Várias vozes defenderam que tanto a Associação Portuguesa do Cavalo Puro Sangue Lusitano como a Escola Portuguesa de Arte Equestre deveriam ser deslocalizadas para Alter.
Estado deve assumir um papel preponderante
Unânime foi a opinião de que, independentemente do modelo de gestão, o Estado deve assumir um papel preponderante na vida da Coudelaria, que deve ser gerida por personalidades com bom senso, capacidade de gestão e, principalmente, reconhecido know-how sobre o mundo rural.
A grande maioria dos intervenientes defendeu que enquanto a instituição continuar a ser gerida sob a égide de jogos políticos, nomeando personalidades do partido que está no poder, a Coudelaria nunca se poderá afirmar como o projecto âncora que toda a região deseja que esta realmente seja. © AA/NCV


23 de fevereiro de 2012

Debate “Alto Alentejo tem futuro” no sábado
sobre o futuro da Fundação Alter Real



No âmbito da iniciativa “Alto Alentejo tem futuro”, o semanário Alto Alentejo, em parceria com o Mensageiro de Alter e com o apoio do respectivo Município promove um debate no próximo sábado, dia 25 de Fevereiro, entre as 15 e as 18 horas, subordinado ao tema “A Coudelaria tem futuro”, que decorrerá no Castelo de Alter do Chão.
Foi convidada uma série de personalidades ligadas à Coudelaria, à Fundação Alter Real e à tutela para fazerem um conjunto de curtas comunicações sobre o futuro da Coudelaria e da Fundação Alter Real. © NCV